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    January 16

    O MACACO-O HOMEM-PERNILONGO E A FEBRE AMARELA

    Poesia: Febre amarela

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Se tu achas que o macaco

    Não tem nada a ver contigo

    Então qual é o castigo?

    Que nos deu nosso Patrão?

    Estou vendo todo peão

    Já com o pala em farrapo

    Correndo a campo fora

    Sem as rosetas da espora

    Perturbado ao ver o mato

    E o garrão fica um trapo.

     

    E o motivo é conhecido

    Com medo de um mosquito

    Carrega febre o maldito

    Pra ninguém ele dá trela

    Produtor de febre amarela

    E os gaudérios desprevenidos

    Que não tomaram a vacina

    Estão de orelha em cima

    Com o sorriso contido

    A chinoca olha o marido.

     

    Já morreu uns quatro ou cinco

    Lá pras bandas do planalto

    Tchê! E não foi por assalto

    Ou por doença de mulher

    E não é porqueira qualquer

    Eu te digo com afinco

    Sem medo de estar errado

    O povo está desconfiado

    Encolhendo até os pintos

    E dessa coisa eu não brinco.

     

    Formam bichas gigantescas

    Nas portas de todo Posto

    Causando muitos desgostos

    Ao caudilho metido a sebo

    Pois eles estão com medo

    Porque também não são bestas

    Procuram em todos costados

    Meios de serem vacinados

    Com cenas até grotescas

    Sem gritos de alas-frescas

     

    Tu precisa ver o desespero

    No sentido da semelhança

    Será que somos herança

    De algum orangotango

    Cruzado ao fim do fandango

    Quem será nasceu primeiro?

    Será que foi o macaco ou nós?

    Perguntei aos meus avós

    Sobre este entrevero

    Sem resposta por inteiro.

     

    Acredito que a ciência

    Possa me dar a resposta

    Por hora quem não gosta

    É minha santa mãezinha

    Outro dia a pobrezinha

    Com toda sua experiência

    Não soube explicar ao filho

    Estória de macaco e caudilho

    Acabou a sua paciência

    Teve que pedir clemência.

     

    Deste modo peguei valente

    Choramingando nos cantos

    Me bombeando com espanto

    Questionando o assunto

    Neste barco estamos juntos

    Sem poder ficar doentes

    E já tem índio de coragem

    Pensando outras bobagens

    Formando uma corrente

    Plantando estas sementes.

     

    Nunca vi um mosquitinho

    Pegar macaco e a indiada

    Dar somente uma picada

    E matar de febre amarela

    Os gordos e os magrelos

    Mesmo junto ou sozinho

    O jeito é nós não vacilar

    Indo ao Posto se vacinar

    Vai doer só um pouquinho

    Ou perderás pro malhadinho.

     

    Até dez anos fica tranqüilo

    Depois tem que tomar reforço

    Para não carregar no dorso

    O pernilongo da dengue

    Voltando à novo perrengue

    Pensando sempre naquilo

    Como vou ser imunizado

    Com bicha pra todo lado?

    Mais dez dias de cochilo

    As recomendações de estilo.

     

    Agora tu viste a semelhança

    De nosotros e os macacos

    Todos os dois somos fracos

    Diante do Aedes-Aegipty

    Te digo parceiro acredite

    Não entre de novo na dança

    Tanto faz... Velho ou guri

    Morre com a febre do sagüi

    Te vacine com constância

    Leve os peões da tua estância.