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November 29 DIFERENCIE TRADICIONALISMO DE NATIVISMO ASSIM TCHÊ!
Tradicionalismo ou Nativismo
Quem quiser demonstrar a cultura gaúcha visualmente vai ter um retângulo cujas pontas ostentam cores diferentes com um dégradé em direção ao centro. No ponto mais eqüidistante das extremidades vai existir um matiz difícil de identificar a que lado pertence. Assim é a cultura do Rio Grande do Sul, composta por dois movimentos distintos, mas iguais. Há o tradicionalista que não compreende ou não gosta do nativismo e o nativista que não entende ou não aprecia os rituais do tradicionalismo. Porém há aqueles que como no matiz central do quadro imaginário proposto, ora são interpretados como tradicionalistas, ora como nativistas. Transitam nos dois campos culturais com a mesma notoriedade e legitimidade. Luiz Carlos Barbosa Lessa, recentemente falecido, considerado o maior teórico do tradicionalismo, registra em seu livro Nativismo, que a cada trinta anos surge um novo "ismo". Menciona o Gauchismo de Cezimbra Jacques em 1889, regionalismo por volta de 1920, o tradicionalismo em 1947 e o nativismo a partir da década de 70. Complementa o folclorista: em 2000 deve se cuidar para não haver o "barulhismo". Seu temor tem uma certa ponta de razão, mas ele não prevê o possível momento do centrismo na cultura gaúcha. Definir o tradicionalismo e o nativismo parece ser tarefa simples quando se lê as palavras num dicionário, contudo decifrar os movimentos representados por estes dois "ismos" é mais complexo. Saber quem são e o que pensam as pessoas que formam estes dois grupos que se complementam e às vezes se confundem requer uma análise mais profunda do que uma simples frase, muitas vezes preconceituosa. Entender o que pensam os membros destes dois grupos de indumentárias distintas e outras vezes tão semelhantes, é complexo. Decifrar estas duas tribos de guerreiros aquartelados nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) ou nos ginásios de esporte que viram cenários para os festivais não é fácil. Conhecer as lideranças dos que ostentam cargos adquiridos através de eleições e dos que conquistam posições por meio de suas prestigiosas manifestações artísticas, é fundamental. É necessário recorrer à sociologia e à antropologia para tentar desvendar o mistério e uma divisão quase oculta e ao mesmo tempo tão declarada. O tradicionalismo gaúcho é um movimento organizado com uma estrutura hierárquica rígida e um mapeamento do Estado. É quase como um governo paralelo especificamente para o gerenciamento da tradição, mas não exclusivamente. Há uma questão humana intrínseca. Possui um presidente na capital, trinta coordenadores nas chamadas Regiões Tradicionalistas (RTs) e os patrões do Centros de Tradições Gaúchas. Há cidades que possuem ainda uma associação das entidades, cujo presidente tem sua posição hierárquica estabelecida entre o patrão e o coordenador. Como primeiras-damas culturais existem as primeiras prendas em três modalidades e três níveis. As modalidades são mirim, juvenil e adulta e os níveis são as prendas das entidades, das regiões e do Estado. Um cargo surgido mais recentemente é o Peão Farroupilha, nos mesmos níveis das Prendas e nas modalidades piá e adulto. Todos são uma espécie de relações públicas do tradicionalismo e conquistam seus cargos num verdadeiro vestibular cultural. Ao contrário do nativismo há uma rigidez quase militar no tradicionalismo no que tange a indumentária. Chega em alguns casos no limite em que a Imagem vale mais do que o conteúdo. - O nativismo gaúcho não é uma entidade e sim um movimento cultural cuja união está na identificação pessoal e na semelhança de produção artística de seus membros. Os líderes são os artistas e os organizadores de festivais, mas não há uma hierarquia estabelecida entre eles. Ambos possuem associações independentes na expectativa uma organização maior, porém não se e comparar com as diretorias e patronagens do tradicionalismo. Os guerreiros desta tribo são os admiradores da musica nativa da poesia gaúcha e a pajada riograndense. Seguem seus ídolos, mas não Ihes dão exclusividade. Aplaudem e consomem o produto cultural dos que mais se identificam. Vão aos festivais com o mesmo entusiasmo com que freqüentam os CTGs. Há migrantes entre os grupos, contudo pode-se afirmar independente de qualquer pesquisa de que o tradicionalismo municia o nativismo com maior contingente de pessoas do que o contrário. Se há diferença organizacional entre eles, a semelhança sentimental. Ambos sustentam seus discursos ideológicos no amor à terra. Tradicionalismo e nativismo cantam as belezas da querência, envergam indumentária típica, demonstram cada um à sua moda, amor pelo Rio Grande do Sul e são sustentados pelo concurso. Embora nesta demonstração de apego pelo pago, o tradicionalismo dance mais do que cante e o nativismo quase que exclusivamente cante, este ano o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) cria um festival de música que abrange todas as RTs, o que significa uma mobilização estadual. Pela visão antropológica, ambos os segmentos são agregadores da família e do grupo local. Possuem a linguagem dos signos herdada de ancestrais. Falam do seu mundo com a dimensão de seu conhecimento. São responsáveis pelo crescimento da auto-estima do povo riograndense e grandes propulsores a economia estadual. Enquanto o tradicionalismo estuda o folclore e a tradição, o nativismo está mais voltada para a manifestação folclórica. O primeiro define o corpus de sua atuação dentro do que estabelece como tradicional e folclórico e o segundo busca universalizar estes dados com enfoque ético-musical mais abrangente e inovador. As pontas de cores distintas do quadro imaginário que define a cultura gaúcha de debatem nesta questão. Os mais entusiastas do tradicionalismo julgam que o nativismo está deturpando a cultura gaúcha e os vanguardistas do nativismo acusam os tradicionalistas de serem responsáveis pelo saudosismo cultural. Já os que são representados pelo matiz dégradé, visualizam o somatório do poder cultural que os dois movimentos proporcionam para o engrandecimento espiritual dos habitantes do Estado. Juntos eles mobilizam mais de um milhão de pessoas. Isto só no Rio Grande do Sul, haja visto que a cultura gaúcha está presente em todos os estados brasileiros e fora do território nacional com grande representatividade. Barbosa Lessa, ao fundamentar o tradicionalismo afirma que "...as duas unidades sociais mais importantes como transmissoras de cultura são a família e o grupo local". Nos grandes centros populacionais urbanos os CTGs sãos os locais da fuga do individualismo das metrópoles. As pessoas buscam reencontrar o sentimento de grupo local, com os mesmos objetivos e atividades. A cultura gaúcha como um todo é provedora deste encontro familiar. A freqüência nos CTGs, rodeios e festivais normalmente é de três gerações. Estando grupos de diferentes idades voltados ao mesmo objetivo, a herança cultural é legada com maior facilidade entre eles e o fortalecimento do regionalismo é mais pulsante. Encontrada no seio da cultura gaúcha, a família riograndense posiciona-se na defesa de seus mais íntimos anseios. Os pais acompanham o crescimento etário e cultural de seus filhos e os apóiam nos momentos de dificuldade como amigos da mesma entidade social, sem deixarem de ser exemplos e ídolos. Tanto que o rodeio crioulo, uma das atividades recreativas do tradicionalismo institui o concurso de laço “pai e filho”, incentivando a integração familiar. Da mesma forma acontece no nativismo quando um jovem sobe ao palco para defender a sua música num determinado festival, toda a família oferece apoio à sua atuação. A sociabilidade familiar, um dos maiores problemas da comunidade mundial na atualidade, tem na cultural gaúcha um ponto de apoio importante. Seus exemplos estão presentes desde os CTGs dos remotos rincões até os da capital gaúcha. As lideranças de ambos os movimentos também mobilizam as famílias na questão organizacional. É comum encontrar casais participativos nos CTGs ou organizações de festivais de música ou poesia. Quando no grande grupo, em congressos do Movimento Tradicionalista Gaúcho ou nas reuniões da Associação das Comissões Organizadoras de Festivais de Música do Rio Grande do Sul, é uma grande família. Barbosa Lessa fez uma afirmação sociológica para o evento: "qualquer sociedade poderá evitar a dissolução enquanto for capaz de manter a integridade de seu núcleo cultural". Nestes encontros há o congraçamento de pessoas de todas as facções partidárias, todas as classes sociais, credos e cores. A cultura é o objetivo comum para o qual todos convergem suas dedicações. Embora isso aconteça na comunidade local, os comandados políticos, distantes do fato cultural, teorizam equivocadamente sobre a cultura gaúcha. Os da extrema direita e da extrema esquerda julgam que a estrutura das estâncias na cultura gaúcha, patrões e peões, seja ideologicamente a favor da primeira e contra a segunda. Ambos estão enganados, por que ela está acima disso. É uma característica atribuída ao meio de vida do riograndense. "O gaúcho é socialmente um produto do Pampa, como politicamente é um produto da guerra", afirma o pensador fluminense Oliveira Vianna em seu livro Populações Meridionais do Brasil. Nos festivais há uma comemoração da arte criada em relação aos temas, mais do que uma vinculação política que ela possa expressar, e normalmente as letras de música estão recheadas de defesa das questões humanas. O antropólogo riograndense Ruben Gorge Oliven registra em seu livro A Parte e o Todo - A Diversidade Cultural do Brasil-Nação, algo comprobatório deste amor à arte acima de tudo. "...0 que me chama atenção é o fato de um público aplaudir indistintamente músicas a favor ou contra a figura tradicional do gaúcho". E complementa: "Mas o público parece vibrar com todas; acho que, na realidade, as pessoas vibram com a celebração da entidade gaúcha".
A CRIAÇÃO DO TRADICIONALISMO E O SURGIMENTO DO NATIVISMO
A primeira tentativa de organização do tradicionalismo surge em 1898 com a criação do Grêmio Gaúcho em Porto Alegre, por Cezimbra Jacques. Alguns autores afirmam que Cezimbra Jacques agiu influenciado pelo Partenon Literário que reunia a elite cultural de sua época. Outros clubes são fundados no interior do Estado. Segundo Hélio Moro Mariante em História do Tradicionalismo Rio-Grandense, foram a União Gaúcha de Pelotas, Centro Gaúcho de Bagé, Grêmio Gaúcho de Santa Maria, Sociedade Gaúcha de Lomba Grande de São Leopoldo (hoje pertencente ao município de Novo Hamburgo) e Clube Farroupilha de Ijuí. Moro Mariante afirma que este sentimento nativista impregnado na criação das entidades de preservação do regionalismo tem a influência do Uruguai que conta com a sua entidade tradicionalista La Criolla, fundada por Elias Regules, em 1894. O tradicionalismo organiza-se definitivamente a partir de 1947, quase como uma birra. Em 1940, com a estatização da Rádio Nacional por Getúlio Vargas, a padronização cultural borra as manifestações culturais regionais. Por sorte, graças a sua força legítima não se apaga. Em 1941, os Estados Unidos reforçam as relações econômicas e culturais com a América Latina. O presidente Franklin Roosevelt cria o Birô Interamericano. Chefiado por Nelson Rockfeller, o Birô começa a divulgar no Brasil o american way of life, ou seja, o estilo de vida compatível com o consumo dos produtos tipicamente norte-americanos, desde a Coca-Cola até a revista Pato Donald. A indústria de refrigerantes investe altos valores monetários na Rádio Nacional para colocar no ar o programa Um Milhão de Melodias, uma espécie de parada musical norte-americana. Isto, na verdade serve como ponta de lança para a introdução do refrigerante e dos produtos da indústria cultural daquele país em todo o território brasileiro. A partir daí patrocinadores passam a ter suas marcas associadas aos programas, a exemplo de Teatro Good-Year, Recital Johnson, Programa Bayer e Calendário Kolynos. Eles se tomam os maiores sucessos radiofônicos dos anos 40. O rádio toma-se o fascínio dos ouvintes. Passa a ser o maior influenciador dos hábitos e costumes de milhões de brasileiros. Segundo o historiador Gerson Moura, no seu livro Tio Sam Chega ao Brasil, "foi dessa maneira que entre 1946 e 1947 o Brasil foi inundado de produtos made in Usa...". Toda essa avalanche de informações culturais chega num momento em que o país atravessa um período de fragilidade cultural. Getúlio Vargas cria o Estado Novo e promove uma afronta às diferenças culturais do País. Estabelece, em 1937, a Constituição com o objetivo de unificar a Nação. O gaúcho de São Borja, enquanto presidente, instituiu que a bandeira, o escudo e as armas passam a ser os únicos no País. Com a cerimônia da Queima das bandeiras em praça pública, ao som do hino nacional, quando são hasteadas 21 peças da bandeira nacional em lugar das estaduais, fica clara a perda do poder regional e estadual. A partir daí, as mudanças profundas movem com o imaginário popular e a cultura passa a ser algo estabelecido pelo Estado Central. O samba ganha legitimidade como a representação musical e a entidade cultural do País. Depois, o governo impõe uma postura de unidade nacional permite que esta nacionalidade seja enxovalhada pela de outro país. Com a queda da Ditadura Vargas o cotidiano regional começa a ser repensado. A imprensa começa a atuar livremente e os intelectuais retomam a divulgar o Brasil como uma nação de vários segmentos culturais. Em 1947, o jovem estudante do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de Porto Alegre, João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, recém chegado de Santana do Livramento, sai para tomar um cafezinho e avista uma bandeira do Rio Grande do Sul, servindo de cortina para tapar o vidro de uma janela do bar, entre cachaça e cigarro. O comerciante não sabia do que se tratava aquele pano. Foi a gota D'água. Naquele ano Paixão Côrtes cria, juntamente com alguns colegas, o Departamento de Tradições Gaúchas, no Colégio Julinho. O grupo acompanha de-a-cavalo o translado dos restos mortais do General farroupilha David Canabarro. A Primeira Ronda Crioula é criada para preservar, desenvolver e proporcionar a revitalização da cultura riograndense. O DTG comemora os 112 anos da Revolução Farroupilha. Acende-se da Pira da Pátria pela primeira vez o fogo que os tradicionalistas denominam de “Chama Crioula”. "Não estávamos, nós os jovens, nos insurgindo contra as coisas do desenvolvimento, da liberdade, do progresso, e nem éramos insensíveis à evolução. Mas queríamos também o direito de fixar as nossas coisas, de preservá-Ias, de varolizá-Ias dignamente nos seus devidos lugares", afirma Paixão Côrtes no seu livro Origem da Semana Farroupilha - Primórdios do Movimento Tradicionalista. Em 24 de abril de 1948 é fundado o 35 CTG, o pioneiro daquelas entidades. Hoje são mais de 1700 CTGs em todo o País. Em 1959, quando é criado o Conselho Coordenador, o Estado já conta com diversos CTGs. Em 1966 cria-se o Movimento Tradicionalista Gaúcho e em 1975, o Conselho Coordenador transforma-se em Conselho Diretor, ativo até a atualidade. O movimento nativista surge com a criação da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul na cidade de Uruguaiana, em 1971. O País atravessa a sangrenta ditadura militar. A censura com mão de chumbo, define o que é mais apropriado para veicular ao povo. A música em idioma estrangeiro ganha as paradas de sucesso das emissoras de rádio e televisão, numa forma de adormecer aos mais atuantes cultural e politicamente. Em revés a estes cinzentos tempos, há grande movimentação cultural com a idealização de festivais de música popular brasileira nas diversas cidades do País. O mercado da música gaúcha está voltado para o regionalismo e o tradicionalismo. A trova está em alta, ainda por resquícios do programa radiofônico Grande Rodeio Coringa e alguns programas em emissoras AM no amanhecer ou entardecer do dia. Mas apesar disso, a parcela gaúcha no mercado discográfico é irrelevante, excetuando-se o fenômeno Teixerinha, recordista em vendas de discos até hoje. A Califórnia da Canção é promovida por um grupo filiado ao CTG Sinuelo do Pago, em Uruguaiana. Na primeira edição, sessenta pessoas fazem a platéia. Nos tempos de ouro da Califórnia, entre a décima e a vigésima edição, chega a atrair 60 mil pessoas. O poeta Colmar Pereira Duarte é o centro de uma polêmica que gera o surgimento do festival. Acaba vencendo a primeira edição do evento que passa a ser exemplo para o ciclo dos festivais do Estado. Na década de 80 surgem novos festivais e um verdadeiro turbilhão nativista começa a tomar conta do Estado. Os jovens passam a vestir bombachas, sair às ruas dos grandes centros com suas mateiras e formar rodas de mate nas praças. Apressadamente alguns tradicionalistas julgam que o movimento é apenas um modismo. Hoje Já contabiliza três décadas de atuação e centenas de títulos de festivais. Atualmente são em média 47 festivais por ano, mas já houve época com mais eventos deste tipo do que finais de semana. Com a grande produção musical gerada pelo nativismo surgem novos programas de rádio e televisão. A mídia começa a olhar com atenção para os nativistas e vê fundamento nos temas que são abordados pelos novos valores que começam a surgir ano a ano. Os festivais tornam-se mercado de trabalho e hoje há um elenco de mais de mil nomes cadastrados como compositores, músicos e intérpretes deste gênero musical só no Rio Grande do Sul. Na década de 80 surge a primeira emissora de rádio segmentada exclusivamente na cultura gaúcha, a Rádio Uberdade FM. Antes disso algumas emissoras já dão cobertura jornalística aos festivais de música e aos eventos da tradição. Na atualidade são seis emissoras no Estado, cinco FMs e um AM. O primeiro disco da Califórnia foi gravado em São Paulo. O movimento estruturou o mercado de trabalho, gerando uma espécie de indústria cultural gaudéria. Atualmente existe uma dezena de gravadoras no Estado e uma quantidade imensa de estúdios de gravações. O consumo discográfico gaúcho alcança a expressiva quota de 2 milhões de discos ao ano. Assim como o tradicionalismo dá sustentação aos conjuntos musicais em seus fandangos, o nativismo faz surgir novos valores que breve tornam-se profissionais e passam a atuar como contratados dos próprios festivais para espetáculos especiais. Alguns deles Já se orgulham da conquista do DISCO de Ouro pela vendagem de 100 mil cópias de seus CDs. Assim como o tradicionalismo tem no seu ENART (Encontro de Artes e Tradição Gaúcha) o seu principal encontro artístico anual, surge para o nativismo a lei que cria o Troféu Vitória, em 1995. Uma espécie de Oscar dos festivais, o Troféu Vitória acontece por três anos no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, a partir de março de 1996. Este encontro, promovido pela Associação dos compositores, Intérpretes e Músicos Nativistas (ACIMN), conta com o apoio do governo estadual da época que destina 100 mil reais para as premiações aos três melhores festivais e os artistas mais premiados do ano. Apesar de ter dado uma nova vida aos festivais, ele não acontece mais, embora a lei que o cria não tenha sido revogada. A ACOFEM (Associação das Comissões Organizadoras dos Festivais de Música do Rio Grande do Sul) atua em plena sintonia com a SEDAC (Secretaria de Estado da Cultura) e CEC (Conselho Estadual de Cultura). Este equilíbrio entre as entidades é fundamental em virtude do surgimento da lei de Incentivo à Cultura para a realização dos festivais.
Bueno! As fontes destes dois magníficos textos são do JORNÀL DO NA TIVISMO, nº. 171, de Novembro de 2002, pág.16 e 17 e são de autoria do meu amigo Paulo de Freitas Mendonça, diretor do referido jornal e acadêmico de Jornalismo. Lembramos também que o Jornal do Nativismo pode ser acessado na Internet pelo www.nativismo.com.br e recomendo ao vivente que assine este jornal, que há 15 anos se dedica à cultura da nossa terra.
November 22 DESCOBERTA DE GEL QUE ESTANCA A HEMORRAGIACientistas descobrem gel que estanca hemorragias Os pesquisadores prevêem que os testes clínicos comecem dentro de cinco anos PEQUIM - Cientistas de Hong Kong e dos Estados Unidos descobriram, de forma acidental, um gel capaz de estancar hemorragias em menos de 15 segundos, que pode revolucionar as cirurgias, publica o jornal South China Morning Post. Os especialistas da Universidade de Hong Kong e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) descobriram a fórmula do gel enquanto trabalhavam num projeto de regeneração de células cerebrais. A descoberta foi divulgada pela revista científica internacional Nanomedicine, que publicou os resultados da pesquisa, pioneira na utilização de um produto biodegradável para conter uma hemorragia em roedores em apenas alguns segundos. A aplicação em humanos poderia reduzir drasticamente o tempo gasto pelos cirurgiões para controlar as hemorragias, que é quase a metade de toda a intervenção. Os cientistas ainda não sabem qual é o mecanismo exato que estanca a hemorragia. Mas explicaram que o novo material contém fragmentos de proteínas (peptídeos). Eles atuam sobre a ferida como um gel protetor numa escala de nanômetros (milionésimos de milímetro). Depois de parar o fluxo de sangue, o gel se decompõe em moléculas que o organismo pode utilizar para reparar o tecido danificado. Por enquanto, o novo produto só foi utilizado no cérebro, fígado, pele e tecido da medula espinhal de ratos e hamsters. A sua aplicação estancou as hemorragias quase instantaneamente em todos os casos. Atualmente, as ferramentas mais utilizadas para isto são a pressão com pinças, esponjas e a aplicação de calor. Os pesquisadores prevêem que os testes clínicos comecem dentro de cinco anos, e que serão necessários pelo menos 10 até que o produto possa ser utilizado amplamente nos hospitais.
POESIA LINDA DE MÁS TCHÊ - RETORNO BRAVORetorno bravo Autoria: Ubirajara Raffo Constant
Ali na porta do rancho, junto ao cusquito nervoso, o velho guasca orgulhoso olhava o filho partir. Também deseja ir com a mesma disposição, levando a lança na mão, pra se unir aos farroupilhas e pelear pelas coxilhas em defesa do rincão.
Porém já velho e arquejado perdera a força no braço, tinha no lombo o cansaço do peso de muitos anos, mas era um dos veteranos com orgulho do passado, por ter a lança empunhado combatendo os castelhanos. Que gana tinha de ir, aquele velho guerreiro, de novo para o entrevero como gaúcho pelear, mas ficava a se orgulhar que embora velho e cansado tinha um filho já criado partindo no seu lugar. E ali na porta do rancho, cheio de orgulho e pesar, viu o filho se afastar com garbo e disposição, montando um flor de alazão, o laço preso nos tentos, o poncho revoando ao vento e a lança firme na mão. Depois, com a estrada deserta, a noite foi se achegando, o pampa foi silenciando nas grotas e nos banhados e o velho guasca cansado no catre foi se arrimando, em silêncio memoriando entreveros do passado.
Assim, a poeira dos dias cobriu o catre vazio do paisano que partiu do rancho para a guerrilha, levando na alma caudilha de guasca continentino, a fibra, a glória e o tino de campeador farroupilha.
Já muitos dias depois um xirú trouxe a notícia: - A farroupilha milícia em que seu filho marchou peleando se dizimou. Morreram mas não recuaram e entre os bravos que tombaram dizem que o moço ficou.
Num sentimento profundo o velho ficou calado, mas o seu rosto enrugado não pode a dor esconder, deixando livre correr, do fundo da alma ferida, uma lágrima sentida que ele não pode conter.
Tristonha caiu a noite e mais triste a madrugada. Latia ao longe a cuscada, na quincha gemia o vento, e sem dormir um momento, ali no catre estirado, o velho ficou atado na soga do pensamento.
Lembrou o filho em criança correndo o pampa em retoço, a melena em alvoroço soprada ao vento pampeano. Recordou ano por ano até que o piá ficou moço e ali da porta do rancho partiu p’ra revolução, montando um flor de alazão, o laço preso nos tentos, o poncho revoando ao vento e a lança firme na mão.
Estava assim recordando, quando lá fora um gemido lhe fez apurar o ouvido e despertar-lhe a atenção. E quando ouviu uma mão, naquela hora tão morta, forcejar de encontro à porta como querendo arrombá-la, sua visão ficou clara, voltando-lhe a luz e o brilho; num ímpeto caudilho a porta abriu com vigor e estarreceu-se de horror ante a figura do filho.
Cambaleante, ensangüentado, as vestes feitas em frangalhos, o corpo cheio de talhos dobrado pelo cansaço, já sem força em nenhum braço, já sem poder ver direito, e com o meio do peito aberto por um lançaço.
Fitando os olhos do filho o velho ficou calado. Estarrecido, espantado, vendo-o ali em sua frente. Então gritou gravemente: - Meu filho, por que voltaste? Por quê? Por que não tombaste onde tombou nossa gente? Maldito sejas, covarde, tu já não és mais meu filho! Não tens o sangue caudilho, não agüentaste o repuxo, deixaste teus companheiros, fugiste dos entreveros, tu já não és mais gaúcho!
Então a face do guasca que peleando não tombou, como um lançaço estampou a ira do coração. Prostrando-se rudemente, naquele gesto inclemente, desfalecido no chão, o moço sentindo a morte roubar-lhe o sopro da vida, com a alma triste e ferida, ali prostrado no chão, sem rancor no coração olhou para o pai à seu lado, e já num último brado fez a brava confissão;
- Meu pai, eu não fui covarde, honrei meu poncho e minha adaga, fiquei coberto de chagas mas agüentei o repuxo. Fui valente, fui gaúcho, peleei com todo o ardor, E se aqui vim escondido foi pr’a salvar do inimigo o pavilhão tricolor.
Abrindo a camisa ao peito, tirou em sangue banhado aquele trapo sagrado que até o fim defendeu, e beijando-o estendeu ao pai, num último esforço, e depois, curvando o dorso, o bravo guasca morreu.
November 17 RESPEITANDO A NATUREZARespeitando a natureza
Desde que o homem está na face da terra luta com a natureza em defesa de sua de sua própria sobrevivência e, consciente ou inconscientemente, acaba agredindo-a de alguma forma. Não faz muito tempo que ele se deu em conta do mal que estava fazendo e passou a se preocupar com essa agressão. As pessoas passaram a se preocupar com o meio ambiente a partir do momento que chegaram a conclusão de que destruir a natureza significava condenar a própria humanidade ao extermínio. Essa preocupação hoje é universal e governantes do mundo todo estão se mobilizando em torno da busca de soluções para esse grave problema da humanidade. Prova disso foi a realização da grande conferencia internacional para o meio ambiente (ECO-92), que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1992, onde 114 Chefes de Estados de diversos países discutiram formas de como continuar o desenvolvimento econômico, sem agredir o meio ambiente, o que é chamado de desenvolvimento sustentado. Nunca se usou tanto as expressões “meio ambiente” e “ecologia”, como nos dias atuais, portanto é importante que saibamos os seus significados: Meio ambiente: é o conjunto de todos os elementos que constituem o lugar, o espaço onde o homem vive (seu habitat). Fazem parte do meio ambiente: O solo, a fauna, a flora, o clima, os recursos hídricos, etc. Ecologia é a parte da biologia que estuda as relações dos seres vivos com ambiente em que vivem, ou seja, estuda a estrutura daquilo que conhecemos como natureza. A palavra ecologia é formada por : eco (casa, ambiente) + logo (estudo). No Brasil as autoridades têm se preocupado bastante com a preservação da natureza. Prova disso foi a criação de um ministério específico: Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA); criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), além do rigor das leis ambientais. E nós navegantes, o que podemos fazer para ajudar nessa luta? Vejo-me na obrigação de alertar o leitor para a importância da preservação do meio ambiente, não só com a virtude das sanções das leis, mas também, em virtude da grande responsabilidade que temos, em legar às futuras gerações um mundo onde se possa viver com dignidade. A nossa responsabilidade, enquanto navegante-pescadores, começa nas estradas, onde devemos ter muito cuidado para não atropelar os animais silvestres, o que tem acontecido com muita freqüência. Um outro cuidado que devemos ter é com nossos fósforos e pontas de cigarros, que devem ser apagados e colocados no cinzeiro do carro ou outro recipiente qualquer, nunca lançado para fora. Primeiro porque não devemos jogar lixo nas estradas e, principalmente porque, embora imaginemos que os fósforos e cigarros estejam apagados, o risco é muito grande e as conseqüências poderão ser catastróficas. As queimadas: Constituem uma grande ameaça, tanto para a flora como para a fauna, pois o fogo sai destruindo tudo. No primeiro momento queima as florestas e matam os animais, em conseqüência vem as mudanças do clima, a “morte” dos rios e a destruição do solo. Sem floresta não há rio, sem rio não há peixes, sem peixes se vão as nossas gostosas pescarias. O desmatamento: Outro grande perigo para a natureza. Quando a vegetação das margens dos rios são cortadas, as margens ficam desprotegidas, com as chuvas, os barrancos sofrem erosão, a terra é arrastada para dentro dos rios. Com o tempo o rio vai ficando cada vez mais raso, impedindo a navegação e, muitas vezes até seca. Lembre-se! Sem mata não há proteção das margens, sem proteção os barrancos são arrastados pelas chuvas para dentro do rio, o rio seca. Sem rio não há peixes, sem peixes nossos filhos não poderão desfrutar das alegres pescarias que desfrutamos. O lixo: Jogar lixo nas águas é crime contra a natureza, além de que, com o decorrer do tempo esse lixo vai se acumulando e chegará um dia em que a poluição “matará” o rio. Alguns materiais são biodegradáveis, isto é, se dissolvem, ficando no fundo dos rios e lagos por muitos anos. Cegará o momento em que, ao se jogar o anzol, ao invés de peixes fisgaremos sacos plásticos, latas enferrujadas ou velhos sapatos. Lembre-se! O lixo “mata” o rio, sem rio não há peixes, sem peixes nossos netos não poderão desfrutar das gostosas pescarias que desfrutamos. O óleo e fumaça: Devemos ter muito cuidado para não deixar cair óleo nas águas, como também devemos manter motores bem regulados para evitar a contaminação do ar atmosférico. O óleo não se mistura com a água e constitui um grande perigo, tanto para os animais quanto para as plantas. Os gases das descargas dos motores que poluem o ar, uma vez que são compostos de monóxido de carbono, o que, em grande quantidade representa um enorme perigo para os seres vivos, pois ao contaminar o ar que é respirado causa doenças, além de outros danos à natureza. Cuidado! Quanto mais escuros estiverem os gases da descarga do seu motor, maior será a poluição, fumaça escura significa que uma grande parte do combustível não está sendo queimada, sendo jogada na atmosfera. Cabe ressaltar ainda, os inseticidas usados nos pulverizadores dos tratores, para combate das folhagens e ou praga na agricultura, pois esses maquinários quando lavado ou inadvertidamente jogado resíduos em afluentes de rios, eles certamente poluirão as águas e consequentemente, matarão os peixes, bem como colocará em risco a saúde da população a jusante do rio, tendo em vista o alto grau cancerígeno da maioria dos inseticidas. Lembre-se! Óleo, fumaça e inseticidas significam poluição, com poluição não há peixes, sem peixes nossos bisnetos não poderão desfrutar das deliciosas pescarias que desfrutamos. A piracema: Piracema é a época em que os cardumes se deslocam rio acima, rumo as nascentes, para a reprodução. Pescar na época da Piracema significa interromper a procriação dos peixes, o que pode comprometer a manutenção dos cardumes e mesmo acarretar o desaparecimento de algumas espécies de peixes. Normalmente, o desfecho ocorre de novembro a janeiro, podendo variar um pouco de região para região. Portanto, antes de pescar, consulte a Superintendência do IBAMA da região desejada, ligando par um dos telefones daquele órgão. Lembre-se! Pescar na Piracema significa interromper a procriação, sem procriação não há peixes, sem peixes as futuras gerações perderão uma excelente fonte de alimentos, além de não poderem desfrutar de tão maravilhosa forma de lazer. A Legislação: Espero que o leitor tenha sempre muito cuidado com o meio ambiente, ficando longe de problemas com as autoridades ambientais, porém, nunca é demais prevenir aos leigos das novas Leis ambientais em vigor no Brasil a que estamos, bem como das penalidades aplicadas aos infratores, assim podemos agir preventivamente. É importante que cada um de nós ao tomarmos conhecimento das Leis ou da criação de novas Leis, passe a orientar as outras pessoas, para a sua aplicabilidade. A natureza agradece. Lei 9.605, de fevereiro de 1.998.
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