Poesia: De Laguna à Sacramento
Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil
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aguna - Em Santa Catarina
Plataforma de uma conquista
O Rio Grande a perder de vista
Tinha trabalho para os anzóis
Sacramento na mão de Espanhóis
E a cobiça da carne bovina
Minerais das gaúchas minas
Francisco de Brito Peixoto
Desbravou caminhos escrotos
Pra juntar as riquezas acima.
A Colônia de Sacramento
Foi a desculpa esfarrapada
Justificando a grande jornada
Prejudicada pela geografia
O Rio Uruguai – Resistia...
Mostrando descontentamento
Montanhas sopradas ao vento
Tentaram impedir sem descanso
Os barbarismos desse avanço
Sangrento e de outros lamentos.
Atracadouros não havia aqui
Obrigando a investida por terra
Portugueses fizeram a guerra
Em enfrentamentos constantes
Matando os índios habitantes
Eram nativos Charruas, Tupis,
Coroados... Também Guaranis
Santo Antônio dos Anjos foi uma
Cidade pioneira em Laguna
Baseando as investiduras ardis.
Organizou-se lá o movimento
Rumando aos campos do Sul
Imensos prados de céu azul
Com rios, matas e animais
Lembrar isto nunca é demais
Servindo naqueles eventos
De caminho até Sacramento
Inicia-se com essa população
Em São Pedro a devastação
De orgulho e constrangimento.
Criou-se o “caminho da praia”
Para estes recém chegados
Homens rudes desalmados
Desimpedida de índios nativos
Por estes serem a eles nocivos
Gado tinha aqui a la gandaia
Desde o preto até a cambraia
Mas a carne do boi charqueada
Precisava de ser exportada
Pro Rio, Bahia e outras raias.
Nisso a região Missioneira
Ficou a mercê de Laguna
Estes sem ética nenhuma
Tomaram dos índios ervais
Cavalos e outros animais
Das matas fizeram lenheiras
Verdade alargou-se fronteira
Exploradores iam ao beleléu
Até Maldonado e Montevidéu
Sofreu nas ações Laguneiras.
A carta de Brito Peixoto
Deixou claro o objetivo
Mesmo a custa de castigo
Consolidaria o povoamento
De “Laguna à Sacramento”
Rio Grande ainda era Potro
São Pedro - O Santo maroto
Resistiu... Ainda por meses
Rendendo-se aos portugueses
E donos de agora são outros.
Erguem-se os novos currais
Com gado a perder de vista
Surgem os contrabandistas,
Estancieiros e Changadores
Na caçada do gado professores
Iniciou-se também algo mais
Com esses nossos ancestrais
Aqui chegando novos galegos
Começa a escravatura de Negros
Registrados em nossos anais.