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    03 november

    DE LAGUNA À SACRAMENTO

    Poesia: De Laguna à Sacramento

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

    laguna - Em Santa Catarina

    Plataforma de uma conquista

    O Rio Grande a perder de vista

    Tinha trabalho para os anzóis

    Sacramento na mão de Espanhóis

    E a cobiça da carne bovina

    Minerais das gaúchas minas

    Francisco de Brito Peixoto

    Desbravou caminhos escrotos

    Pra juntar as riquezas acima. 

    A Colônia de Sacramento

    Foi a desculpa esfarrapada

    Justificando a grande jornada

    Prejudicada pela geografia

    O Rio Uruguai – Resistia...

    Mostrando descontentamento

    Montanhas sopradas ao vento

    Tentaram impedir sem descanso

    Os barbarismos desse avanço

    Sangrento e de outros lamentos. 

    Atracadouros não havia aqui

    Obrigando a investida por terra

    Portugueses fizeram a guerra

    Em enfrentamentos constantes

    Matando os índios habitantes

    Eram nativos Charruas, Tupis,

    Coroados... Também Guaranis

    Santo Antônio dos Anjos foi uma

    Cidade pioneira em Laguna

    Baseando as investiduras ardis. 

    Organizou-se lá o movimento

    Rumando aos campos do Sul

    Imensos prados de céu azul

    Com rios, matas e animais

    Lembrar isto nunca é demais

    Servindo naqueles eventos

    De caminho até Sacramento

    Inicia-se com essa população

    Em São Pedro a devastação

    De orgulho e constrangimento. 

    Criou-se o “caminho da praia”

    Para estes recém chegados

    Homens rudes desalmados

    Desimpedida de índios nativos

    Por estes serem a eles nocivos

    Gado tinha aqui a la gandaia

    Desde o preto até a cambraia

    Mas a carne do boi charqueada

    Precisava de ser exportada

    Pro Rio, Bahia e outras raias. 

    Nisso a região Missioneira

    Ficou a mercê de Laguna

    Estes sem ética nenhuma

    Tomaram dos índios ervais

    Cavalos e outros animais

    Das matas fizeram lenheiras

    Verdade alargou-se fronteira

    Exploradores iam ao beleléu

    Até Maldonado e Montevidéu

    Sofreu nas ações Laguneiras. 

    A carta de Brito Peixoto

    Deixou claro o objetivo

    Mesmo a custa de castigo

    Consolidaria o povoamento

    De “Laguna à Sacramento”

    Rio Grande ainda era Potro

    São Pedro - O Santo maroto

    Resistiu... Ainda por meses

    Rendendo-se aos portugueses

    E donos de agora são outros. 

    Erguem-se os novos currais

    Com gado a perder de vista

    Surgem os contrabandistas,

    Estancieiros e Changadores

    Na caçada do gado professores

    Iniciou-se também algo mais

    Com esses nossos ancestrais

    Aqui chegando novos galegos

    Começa a escravatura de Negros

    Registrados em nossos anais.

    02 november

    Poesia - DEMOCRACIA GAMBETA

     

    Poesia: Democracia gambeta

    Versos de: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

        • Numa prosa bem bagual
        • Sobre o pampa e a cidade
        • Coloquei todas as verdades
        • Dos pelos-finos capitalistas
        • Endinheirados narcisistas
        • Com jeitão de topetudos
        • Sem ginetear um colhudo
        • Veja! Ainda somos animal
        • A diferença é só no visual
        • Eu acredito mais no cúiudo. 
            • Em minhas andanças teatinas
            • Tentiando o bico da gansa
            • Passeio em minha lembrança
            • E vejo que estamos rodeados
            • De muito senhor diplomados
            • Guapecas comedores de ovo
            • Sanguessugas estão lá de novo
            • Se escondendo atrás da batina
            • Guardiões de escolas cretinas
            • Sangradores do cofre do povo.  
                  • Há gente endeusando barbudo
                  • Espero que a sorte ainda mude
                  • De sotreta vadio que se ilude
                  • Em ganhar o sustento de graça
                  • Passa o dia fazendo trapaça
                  • Se tem tinta - Outros que pinte
                  • Levantem cedo no dia seguinte
                  • Ele até sabe disto aqui tudo
                  • Dorme pra ficar mais morrudo
                  • Sugando o peão contribuinte. 
                      • Estive fazendo uma analogia
                      • Dos tempos dantes e de agora
                      • Patrão de hoje não usa espora
                      • Mas sangra a nossa paleta
                      • Nesta democracia sotreta
                      • Feita de cobras peçonhenta
                      • O gaúcho já não agüenta
                      • Tantos cueras sem serventia
                      • Aumentando a cada dia
                      • Esta politicagem nojenta.
                          • Os agregados do nosso Rei
                          • Não querem sair da moita
                          • Estão há anos na apoita
                          • Não saem nem com reza braba
                          • Vivendo sempre na aba
                          • Gastando todos os centavos
                          • Dos pobres peões escravos
                          • O imposto é emolumento
                          • Já tirado do vencimento
                          • De prima e sem marasmo.
                              • Prometo... Desde agora
                              • Vou perseguir o bom trilho
                              • Passarei para meus filhos
                              • Que a escolha é importante
                              • Sei que ninguém garante
                              • Que tudo vai entrar no eixo
                              • Meu conselho - aqui deixo
                              • Escolham bem sem demora
                              • Governantes como de outrora
                              • Xirús éticos, duro de queixo.
                                  • Por muitas vezes fiz a pergunta
                                  • Aonde será que está o Gaúcho?
                                  • Queimaram todos os cartuchos?
                                  • Não sobrou nenhum taura?
                                  • Só restou a peonada maula?
                                  • Vamos mudar este conceito...
                                  • Sempre haverá preconceito...
                                  • Pra mudar a sorte do povo
                                  • Se precisar vamos de novo
                                  • Conquistar os nossos direitos.  

    “Ser livre é respirar o cheiro do Pampa” - Paulo Bambil - 

     
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