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    11 mei

    O MTG EM POESIA NO PLANATO CENTRAL

    ASSIM NASCE O MTG NO PLANALTO CENTRAL

    Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Os primeiros entendimentos

    Que os CTGs encontraram

    Foi em 90 como lembraram

    Os peões que residiam aqui

    Onde o Querência de Buritis

    Com os seus departamentos

    E a Querência de Formosa

    Entre versos danças e prosas

    Apoiara-se em seus Posteiros

    Do Movimento foram pioneiros!

     

    Nesse primeiro tiro no embate

    Ficou acertado entre o Patrão

    Com um baile inaugurar o salão

    Na cidade de Formosa do Goiás

    Convidando patrões e capataz

    Para reunir sem combate

    Num chasquezito magistral

    Intimados CTGs do Planalto Central

    Reunidos nesta empreitada

    A semente aqui estava plantada!

     

    Aos trinta dias de novembro

    Em mil novecentos e noventa e um

    Nova Querência de Buritis foi o boom

    Na seriedade que o assunto trata

    Foi escrita do planalto a 1ª Ata

    Esse é o prógono que me lembro

    Mudando o rumo da banda

    Fizemos-nos representar na Holanda

    Sendo a Estância Gaúcha do Planalto

    A eleita nossa tradição deu um salto!

     

    Em sete de março de noventa e dois

    Costurou-se com grande galhardia

    Os primórdios da coordenadoria

    Esse evento com cunho nativista

    Uniria as invernadas tradicionalista

    Ainda bem o melhor veio depois

    Sendo aceito sem abstinência

    Que o eleito teria a competência

    Caberiam a ele todas as decisões

    Dos Posteiros aos Patrões!

     

    O primeiro fandango integrado

    Foi trinta de maio em Formosa

    No Goiás cidade mimosa

    São idéias que se movem

    1º baile da Prenda Jovem

    Coordenador bem ratificado

    Dezessete de outubro desse ano

    Todos esses qüeras soberanos

    Patrões Artística e a Campeira

    Fizeram os elos da esteira!

     

    Houve tantos outros eventos

    Mas em 26 de novembro de 94

    Há que registrar o fato

    Pois foi um ícone pra Tradição

    Nesse dia fundou-se a Federação

    A qual carregaria nos tentos

    Regendo com partitura formal

    Todos os CTGs do Planalto Central

    Passando Estatutos e Portarias

    À todas as coordenadorias!

     

    Adotado de forma simples

    Em julho de noventa e seis

    Ainda como hoje conheceis

    A Carta de Princípios do Movimento

    De Glaucus Saraiva o documento

    Código de Ética nos trinques

    Que pra nós foi um achado

    Autoria de Praxedes da Silva Machado

    Traje alternativo da Prenda do coração

    De Dinara Xavier da Paixão!

     

    Aqui também já foi sede

    De Rodeio do 10º FENART

    Ao final julho fizemos nossa parte

    À CBTG oferecemos conforto

    Camperiada na Granja do Torto

    Dois mil e um o ano que sucede

    Ficando com jeitão meio rude

    Mas esperamos que não mude

    No Planalto o Movimento dos Gaúchos

    Contando a História desprovida de luxo!

    VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM POESIA

    FEBRE AMARELA

    Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Se tu achas que o macaco

    Não tem nada a ver contigo

    Então qual é o castigo

    Que nos deu nosso Patrão?

    Estou vendo todo peão

    Já com o pala em farrapo

    Correndo a campo fora

    Sem as rosetas da espora

    Perturbado ao ver o mato

    E o garrão fica um trapo.

     

    E o motivo é conhecido

    Com medo de um mosquito

    Carrega febre o maldito

    Pra ninguém ele dá trela

    Produtor de febre amarela

    E os gaudérios desprevenidos

    Que não tomaram a vacina

    Estão de orelha em cima

    Com o sorriso contido

    A chinoca olha o marido.

     

    Já morreu uns quatro ou cinco

    Lá pras bandas do planalto

    Tchê! E não foi por assalto

    Ou por doença de mulher

    E não é porqueira qualquer

    Eu te digo com afinco

    Sem medo de estar errado

    O povo está desconfiado

    Encolhendo até os pintos

    E dessa coisa eu não brinco.

     

    Formam bichas gigantescas

    Nas portas de todo Posto

    Causando muitos desgostos

    Ao caudilho metido a sebo

    Pois eles estão com medo

    Porque também não são bestas

    Procuram em todos costados

    Meios de serem vacinados

    Com cenas até grotescas

    Sem gritos de alas-frescas

     

    Tu precisas ver o desespero

    No sentido da semelhança

    Será que somos herança

    De algum orangotango

    Cruzado ao fim do fandango

    Quem será nasceu primeiro?

    Será que foi o macaco ou nós?

    Perguntei aos meus avós

    Sobre este entrevero

    Sem resposta por inteiro.

     

    Acredito que a ciência

    Possa me dar a resposta

    Por hora quem não gosta

    É minha santa mãezinha

    Outro dia a pobrezinha

    Com toda sua experiência

    Não soube explicar ao filho

    Estória de macaco e caudilho

    Acabou a sua paciência

    Teve que pedir clemência.

     

    Deste modo peguei valente

    Choramingando nos cantos

    Me bombeando com espanto

    Questionando o assunto

    Neste barco estamos juntos

    Sem poder ficar doentes

    E já tem índio de coragem

    Pensando outras bobagens

    Formando uma corrente

    Plantando estas sementes.

     

    Nunca vi um mosquitinho

    Pegar macaco e a indiada

    Dar somente uma picada

    E matar de febre amarela

    Os gordos e os magrelos

    Mesmo junto ou sozinho

    O jeito é nós não vacilar

    Indo ao Posto se vacinar

    Vai doer só um pouquinho

    Ou perderás pro malhadinho.

     

    Até dez anos fica tranqüilo

    Depois tem que tomar reforço

    Para não carregar no dorso

    O pernilongo da dengue

    Voltando a novo perrengue

    Pensando sempre naquilo

    Como vou ser imunizado

    Com bicha pra todo lado?

    Mais dez dias de cochilo

    As recomendações de estilo.

     

    Agora tu viste a semelhança

    De nosotros e os macacos

    Todos os dois somos fracos

    Diante do Aedes-Aegipty

    Te digo, parceiro, acredite

    Não entre de novo na dança

    Tanto faz... Velho ou guri

    Morre com a febre do sagüi

    Te vacine com constância

    Leve os peões da tua estância!

    08 mei

    Ore; antes de sair de sua casa

    A oração da Vitória

     

    Meu Deus no dia de hoje eu preciso da tua mão eu preciso da Tua direção, abençoa o meu dia de trabalho coloca a Tua mão em tudo que eu fizer, abra os meus olhos para que eu veja a solução de todos os meus problemas, abra meus olhos para que eu tenha a direção certa, a direção da vitória para que eu tenha sucesso em tudo que hoje eu fizer. Meu Deus me ajuda, meu Deus me dê forças eu preciso da Tua sabedoria da Tua inspiração, não me deixe errar, não me deixe tropeçar, não me deixe enganar não permita a minha cegueira espiritual, não permita a minha falta de visão, mas peço-te que me abra os olhos para que eu veja a minha vitória, para que eu veja os meus sonhos realizados, porque o Senhor está comigo e é maior que todos os meus problemas.

     

    Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. II Rs 6.16

     

    Desde já eu te agradeço... Amém.

     

    O homem fiel será cumulado de bênçãos...     Pv. 28.20

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    A oração da Vitória em Setembro

     

    Meu Deus muitos são as minhas lutas, muitos são os meus problemas, tenho passado por momentos difíceis, mas sei que o Senhor é maior, que o Senhor é o Deus dos impossíveis. Meu Deus eu clamo pela minha independência, pela minha liberdade, não me deixe depender do homem, depender de remédios, depender de favores, depender de empréstimos, chega de humilhação, chega de sofrimento, chega de fracassos.

    Meu Deus eu confio em ti, na Tua poderosa Mão, pois a Tua Mão não está encolhida, mas sim estendida para a minha vida, O Senhor disse que os humilhados seriam exaltados, e disse que faria Justiça aos Teus escolhidos. Então, exalta a minha vida, faz justiça na minha família, peleja pela minha vitória e traz a minha independência total e completa.

     

    Eu confio em Ti e no Teu Poder.

     

    Desde já eu te agradeço meu Deus - Amém!

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    Poesia para um amigo gaúcho

     

    Poesia: Não é Sonho, existe a Estrela Kuhn

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    O sonho descrito neste arauto.

    Traz o pedigree de Tupaciretã,

    E da família de origem Alemã.

    São Pedro - Embalou o “Guri”,

    Que nasceu à margem do Toropi.

    Cantiga de ninar era o minuano...

    Assim passaram-se alguns anos;

    Veio o trocadilho de sobressalto;

    De lá - Prosperou neste Planalto!

     

    Gaudério e do queixo roxo,

    Nunca se achicou pro destino

    Convivendo com outros primos,

    Que ganharam novos nortes,

    Não tiveram a mesma sorte;

    Deste piazinho porqueira;

    Que já nasceu com estrela...

    Refletida no abismo do poço.

    O luminar desta é o endosso!

     

    São Pedro do Sul é longe de Iraí

    Como era difícil mudar a cidade,

    Naquela época. - Em verdade.

    Inda mais quando se descobre,

    Que vivemos em família pobre.

    Temos a plena consciência;

    Da luta pela sobrevivência.

    E as coisas não param por aí.

    Porém, é tarde para desistir!

     

    Güéra destemido e peleador.

    Aprendeu a lutar de facão,

    Sem perder peleia pra peão,

    Manuseava também a espada

    Mui respeitado pela gurizada.

    Conhecido pelas redondezas,

    Por sua agilidade e destreza.

    Se garantia num destorcedor,

    Ginete pacholento e sonhador!

     

    E por falar nas gineteadas

    Cabe aqui, um parêntese,

    Em piá já mirava o oriente;

    Embora birrento, casmurro,

    Trocou a égua, por um burro,

    Bem vistoso, porém, redomão.

    O sarapico amansou o burrão.

    As paletas; do asno; furadas,

    Da espora com roseta travada!

     

    Oigale-tê piá, bom de briga.

    E foi em uma dessas peleias...

    A coisa encrespou, ficou feia;

    E diante de tamanho tumulto,

    Não se achicou; aos insultos.

    Deixou a cara do outro em fatia,

    Tendo que se mandar a La cria;

    Abandonou tudo. A mãe e o pai.

    Serpeando a nado o rio Uruguai!

     

    A procura de Palmitos, Caibi, Iporã,

    Encontrou Descanso; e Guaraciaba;

    São Miguel do Oeste ficou na estrada,

    Em São José do Cedro, o céu ta azul,

    Palma Sola, e a oeste Guarujá do Sul,

    Nessa peregrinação fugidia matreira

    Acrescento ainda Dionísio Cerqueira,

    E se; a minha memória não me trai...

    Trouxe alguns chibos do Paraguai!

     

    Cresceu é natural... Virou homem.

    Chegada à hora de sentar praça;

    Brasileiro não pode negar a raça.

    A luminescência da estrela inicia,

    Ostentar a verde-oliva era loteria.

    E daqueles conscritos designados,

    Só dois deles, seriam aproveitados.

    No sorteamento, ainda faltava um,

    E a escolha foi: - Adão Ernani Kuhn!

     

    Assentado no quartel em Santo Ângelo,

    Na Companhia Média de Manutenção,

    Ponto zero da ascendência do Alemão.

    Inscrito no curso de cabo mecânico;

    Adoeceu e faltoso; ficou em pânico.

    E no hospital em que era paciente,

    Foi convidado para o contingente.

    Assim daquele curso foi desligado;

    Transferido e no Hospital instalado!

     

    Ali podia estudar e seguir carreira...

    Esquecendo a lenha e a serra fita;

    Ser sargento; é sonho que acredita.

    Concluiu o curso que pretendia;

    Porém, vaga que é bom não havia.

    Exímio datilógrafo, sem exagero;

    Cambiou-se para o Rio de Janeiro.

    Sem dinheiro, vivendo apertado...

    Pilas? Só da graduação de Soldado!

     

    Esta viagem; foi uma eternidade.

    Agrura que se somou com outras;

    Aonde comer, e; trocar de roupa,

    Ao lado do forno do Maria-Fumaça?

    As fagulhas completam a desgraça.

    A farda em três dias ficou furada,

    E não tinha outra, pra ser trocada.

    Percorreu essas léguas num trem;

    Chega ao Rio, com poucos Vinténs!

     

    Deus, quando escolhe alguém,

    Cumpre o propósito, e; é Fiel.

    Ao chegar lá no novo Quartel,

    Além de esforçado; é sortudo,

    Sem nunca parar os estudos;

    Vaticinando num dia profético,

    Disse: Um dia eu serei médico.

    O vestibulando, cumpre a sina,

    Passa com louvor; em medicina!

     

    Tchê! Esta nova etapa foi dura.

    Agora nesta vivência moderna;

    Entre a faculdade e a caserna,

    Estudar, trabalhar e dar serviço,

    E; sem abandonar os cambichos.

    Conduziu muito bem estes luxos.

    Consolidando a fama do “Gaúcho”.

    Pinguanchas? Quase uma por mês;

    Até que levou um pealo da “Inez”!

     

    O segundo sargento vira médico.

    Não queria deixar de ser milico.

    Sonhava grande, não era Chico.

    Para o Rio Grande queria voltar;

    Agora um oficial, médico-militar.

    Sustentando ousadias de ginete;

    Foi ser tenente, lá no Alegrete.

    De inhapa a Prendinha do Pealo;

    Foi ajoujada à vida do vassalo!

     

    Ernani e Inez; resumos de história.

    Que orgulha a qualquer família;

    Cidadãos honoríficos em Brasília.

    Fiz nos versos um pequeno cenário,

    Para te desejar “Feliz Aniversário”.

    Teus amigos obtiveram privilégios,

    Que não se conquista em colégios.

    Tu sim; és “GAÚCHO” literalmente.

    Obrigado por ti estar junto à gente!


     

    Poetizando gauchismos

    PELEANDO CONTRA O TEMPO    -    Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Ao candeeiro faltou querosene

    Se ao menos sebo tivesse

    E quando isso até acontece

    Já quebraram as lamparinas

    Acenderam velas de parafina

    Poluindo bem mais o ambiente

    Sangas ainda que perenes

    Contaminam as mãos da gente

    E antes que alguém me condene

    Me dê uma solução diferente!

     

    O importante não é a vasilha

    E sim o que tem dentro dela

    Se tu olhar através da janela

    De um galpão abandonado

    Sempre existirá um passado

    E imaginando uma noite fria

    Onde este serviu de abrigo

    Sem saber o que ali havia

    Certamente o catre antigo

    Nesse instante tem serventia!

     

    Despojado de toda ciência

    Nos resquícios de antanho

    Reunindo tropilha e rebanho

    Sinto pulsar rude meu pampa

    O gaúcho em sua estampa

    Pára-rodeio na consciência

    Como um monge num retiro

    Vira guri sem experiência

    E se perde num longo suspiro

    Contemplando a querência!

     

    Ao arrastar minhas chilenas

    Indo em direção ao rancho

    De repente me engancho

    Numa piola perto do dique

    Diz-que é o tal de joystick

    Pedi proteção ao Mecenas

    Para não perder o enfoque

    Passando os dedos na melena

    Lembrei-me do meu bodoque

    Veja! A evolução me condena!

     

    Dentro do casarão tapera

    Ainda resiste a cristaleira

    Uma mesa de madeira

    Meio capenga das pernas

    Certeza não são modernas

    Porém, a tuia virou quirera

    Carcomida pelos cupins

    E num sonho de quimera

    Índios xirus e os curumins

    Espiava o reto virar Portela!

     

    Eu não vou me entregar

    Não fui parido de susto

    Nas tarcas virei augusto

    Mas levei uns manotaços

    Da picana eu fiz compasso

    Batuteando o carretear

    Segurei firme a regera

    Sentindo o tempo rodar

    Madrugo e não vejo a boieira

    A tradição começa a agonizar!

     

    Estou juntando fragmentos

    De um filme de atavismos

    Passam atos de heroísmos

    Adonde tauras valentes

    Série em epopéias ardentes

    Sem recuar um só momento

    Mantiveram acesa a chama

    Peleando através dos tempos

    Em cima de suas badanas

    Trançando os pensamentos!

     

    Não quis amealhar mais nada

    Sentindo um aperto no peito

    Que fiquei meio sem jeito

    E quando volvi para trás

    Bueno! Era tarde demais

    O pampa todo virou estrada

    Não há flexilhas é só concreto

    Observo entreveros da peonada

    Dos doutores e dos analfabetos

    Eu! Desisto dessa empreitada!

    Poetizando costumes do gaúcho

    Poesia: Meu nobre lenço Colorado

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Meu nobre lenço encarnado,

    De velho já cheira a picumã...

    Presente da minha irmã;

    Lá nas tarcas de setenta;

    Não sei como ainda agüenta,

    Tantos janeiros de trabalho,

    Com sol, vento chuva e orvalho!

     

    Tu pra mim é uma relíquia;

    De grande valor sentimental;

    Gesto de carinho e amor fraternal.

    Por falta das tais patacas;

    Comprava as pilchas sem pressa.

    Porém, dentro da minha bruaca,

    Havia a falta dessa peça.

     

    Certa feita ainda frangote,

     Fui convidado para um sarau.

    Na Primeira Querência do

    Rio Grande; velho São Nicolau.

    Para ser par de uma Prenda,

    Como eu não tinha o bendito

    Provocou-se uma contenda.

     

    Comprei o resto da indumentária;

    Mais apertado que rato em guampa.

    Mas melhorei muito na estampa.

    E naquela noite de gala...

    Com o trinta cheio de bala,

    Ajoujado à Prendinha Laura,

    Dos outros... Eu era o mais Taura!

     

    O vermelho não é por acaso...

    Tão pouco por desacato.

    Sou um índio Maragato;

    Colorado desde piazinho;

    Tapejara, sabedor do caminho.

    E pra ficar bem ratificado;

    Missioneiro e mal domado!

    Tu já estás todo furado...

    Do ferro e das cochonilhas;

    Mas é um símbolo Farroupilha,

    Escolhido com todo critério;

    Para proteger este Gaudério;

    É quase um amuleto da sorte;

    Em peleias, já me livrou da morte!

     

    E ao te ver tão desbotado;

    Surrado como o Evangelho;

    Eu também; fiquei mais velho.

    O que se renova; na existência;

    É o sedimento de experiências;

    Transferida às novas gerações,

    Com saudosismos e emoções!

     

    Numa carpeta de truco;

    Quando alguém envidava;

    Nas cartas se misturava;

    Sem perder a tua cor;

    Pois sempre testemunhava;

    A melhor de todas “FLÔR”.

    De “espadas”, sim senhor!

     

    Meu cusco outro dia;

    Do lenço fez travesseiro;

    Me bombeando mui faceiro;

    Aprumado e no capricho,

    Devereda arrumou cambicho,

    Com a famosa “cadela baia”

     Oi-ga-le-tê! Isso é “rabo-de-saia”!

     

    Ficaria proseando muitas horas...

    Meu velho lenço “colorado”.

    Só pra relatar nosso passado;

    Eis algumas das serventias:

    -Turbante; nos cabelos das gurias,

    -Lático; tamueiro; fez papel de tento.

    Juro! Tu jamais cairás no esquecimento!


     

     

    Poetizando Gauchismos

    Poesia: PAC – Programa de Atraso ao Campesino

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Os incautos que se cuidem,

    Estamos num beco sem saída;

    Jamais teremos a guarida

    Do Patrão Velho bondoso

    O progresso é mui perigoso

    São contratos que iludem

    Deixando peões com tristeza

    Dá muita alegrias as empresas

    Mas no final do deslinde

    Só sobra o sangue no ringue!

     

    Abichornado no meu canto

    Sorvendo o meu mate amargo

    De Patrão só tenho o encargo

    Tive que despedir a peonada

    Pra poder dar bóia à gurizada

    Só me restando o acalanto

    De minha paciente chinoca

    O molejo dela ainda provoca

    Como resistirei seu encanto?

    Não dá pra ter guri, no entanto!

     

    O que será de um xirú pobre

    Que tira o sustento da terra?

    A evolução está nessa guerra

    Contrariando o matuto na roça

    Não há mais lugar pra carroça

    Ela transportava até os nobres

    Ficou esquecida junto ao galpão

    Sem animais para fazer a tração

    E antes que o aperto redobre

    Vou vender os ferros e o cobre!

     

    Os cavalos comparsas e amigos

    Das domingueiras e carreiradas

    Com pêlos e as crinas cuidadas

    Sabiam puxar arados e gaiota

    Certo dia o progresso idiota

    Fazendo calejar mais o castigo

    É quase um bridão sem barbela

    Foi pra cidade e virou mortadela

    No cenário de pindaíba que vivo

    Estou pedindo ajuda a mendigos!

     

    Os guaipecas tiveram mais sorte

    O destino deles foi menos infame

    Viraram xodó de alguma madame

    Bois? Há muito tempo nem falo

    O cochincho que era o meu galo

    Estão todos no corredor da morte

    E até um frangote, o mais novo

    Virou carne pra risoto no povo

    A destruição do campo esta forte

    Até penso em ganhar outro norte!

     

    Ainda o que complica compadre

    Minha chinoca não pára as crias

    Há pouco me vieram duas gurias

    Para se ajuntar com os três piás

    Ainda tenho receio e é capaz

    De acordo com o dito do Padre

    Para mim ta de novo buchada

    Desse jeito, nem santo me ajuda

    Outra vida traz alegria é verdade

    Porém a falta de pila é maldade!

     

    Fiz um chasque ao Presidente

    Bah! Tchê!, Eu mal sei escrever

    E queria muito compreender

    Esse Programa de Crescimento

    Será que eu sou um jumento;

    Ou o único qüéra descontente?

    Fico acabrunhado ao perguntar

    Por que só a cidade tem lugar?

    Ainda há muita coisa pendente

    Esqueceram de novo da gente?

     

    Não queremos nada de graça

    Só o que pedimos meu Patrão

    É que acabe com essa exclusão

    Olhe para o Gaúcho no campo

    Capataz; uma coisa eu garanto

    Não vamos beber a tua cachaça

    Tiramos da terra nosso sustento

    Embora com todo contratempo

    Honramos a digna bombacha

    Seja na chuva ou sol que racha!

     

    Qualquer indústria mercantil

    Confies; tem espaço no pampa

    Saiba; o progresso aqui se alavanca

    Sem precisar de muita gramática

    As famílias não são emblemáticas

    Trabalhadores sem serem servil

    Cidadãos herdeiros de Farrapos

    Defensores dos humildes e fracos

    Sinuelos da evolução agro-pastoril

    Nos pampas e em todo o Brasil!

     

    “A indústria que enriquece os homens; é a mesma que extinguirá o futuro”

     

    -Paulo Bambil-

    Poetizando Gauchismos

    ÍNDIO DA TERRA GAÚCHA

     

    Paulo Moacir Ferreira Bambil

    Índio parido da pampa

    Às margens do Uruguai

    Ficou logo sem mãe e pai,

    Mas isso não prescindia...

    Pois era a luz do dia,

    Que a natureza acalanta

    Protegendo do perigo.

     

    Não conhecia inimigo.

    Tigre que não se espanta!

     

    Adotado por padre Jesuíta;

    De idade desconhecida;

    Preparado assim para a vida,

    Lá em São Miguel Arcanjo.

    Cresceu e virou marmanjo;

    Numa bondade infinita.

    Qüera taura e valente.

    Exemplo aos descendentes

    E todos que na terra habita!

     

    Nomeado corregedor;

    Do povo de São Miguel,

    Fundando lá o seu quartel;

    O supremo comandante.

    Deixou a redução confiante,

    Esse inteligente provedor,

    Com grandes objetivos.

    Tinha apreço aos nativos

    E não gostava de invasor!

     

    Aprendeu todos os enredos,

    Na condução do povoado.

    Foi pelos padres educado,

    E em defesa da mãe terra,

    Sempre pronto para a guerra.

    Estrategista e sem medos,

    Na formação dos soldados.

    Lanceiros bem adestrados;

    Depositários dos segredos!

     

    Centauro em cima do flete;

    Guardião da terra gaúcha;

    Telurismo que lhe puxa,

    Vigiando os Sete Povos;

    Ensinando aos mais novos,

    Como se compromete,

    Para preservar a natureza,

    Conservar dela a pureza.

    Parte que nos compete!

    Porém os dois reinados;

    De Portugal e Espanha,

    Do solo fizeram barganha.

    E toda pampa missioneira,

    Do litoral até a fronteira.

    Vazia sem os povoados.

    Trocada sem consentimento,

    Pela Colônia de Sacramento.

    Deixou o guerreiro revoltado!

     

    Foi então que o índio Sepé,

    Cria de São Luiz Gonzaga.

    Convocou toda a indiada,

    Pra defender o torrão;

    Pois era parte desse chão.

    E na batalha de Caiboaté,

    Com denodo e galhardia;

    Terçou ferro nesse dia;

    Tombou! A alma ficou em pé!

     

    Lavou a terra com sangue...

    Abraçando-a devagarzinho.

    Beijou ela com carinho.

    Não ganhou esse troféu;

    Mas bombeia ela, lá do céu.

    É o dono do Rio Grande.

    E desde pequeno curumim,

    Já galopava do Chuí ao Erexim.

    Deixe que o minuano te comande!

     

    Hoje vejo índios sem terra,

    Perdidos nas periferias,

    Com a incerteza dos dias,

    Passando necessidades,

    Alienados das sociedades,

    Sem os rios matas e serra.

    Todos foram derrotados,

    Mesmo sem ter peleiado.

    “Nessa ímpia e injusta guerra”!

     

    Cacique gaúcho; Rei sem trono;

    Não percas nunca a tua fé,

    Siga o catecismo de São Sepé.

    Alce perna em teus cavalos;

    Mostre a lança aos vassalos.

    Gerações estão no abandono.

    Tua arma? –É o teu idealismo.

    Grite! Alto e sem cinismo!

    “Esta Terra, ainda tem dono”!

    Poetizando Gauchismos

     Poesia: Qualificando o Gaúcho

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    O gaucho é ser sentimental,

    Não pense que é insensivel,

    Embora não seja visível

    Campeia sempre o bem estar

    Felicidade em primeiro lugar

    Pois as coisas são relativas

    Absolutismo é sem assertiva

    É manotaço de um Bagual

    O efeito do coice é bem real

    Sobram respostas evasivas!

     

    Existe no Sul afeto humano

    Evoluindo a qualquer qüéra

    Não se dá ô-de-casa em tapera

    Em se tratando de honestidade

    Talvez seja a maior qualidade

    Cultivada em todo galpão

    Numa roda de chimarrão

    Pelos maulas e soberanos

    Desde guri, já herdamos

    Usos e costumes da tradição!

     

    Todo vivente tem um cérebro

    Usá-lo é que se torna difícil

    Pois pensamento é um míssil

    O potencial de longo Alcance

    Basta dar ao índio a chance

    De mostrar sua capacidade

    Os campeiros e os da cidade

    O brilho mental é célere

    E tu nunca desconsideres

    A faixa etária da idade!

     

    Existem sofrimentos sérios

    Que não podemos fugir

    Porém, costumamos fingir

    Que estes doem tanto

    Pois se não, perde o encanto

    Da procura dessa causa

    Se tu precisares de pausa

    Para continuar na matéria

    Descanse tire umas férias

    Deixe um hiato na cláusula!

     

    Nunca negue um sorriso

    Ainda mais se for criança

    Se convide para a dança

    E ao sorrir não seja falso

    Creia que nesse encalço

    Tu demonstras atitude

    De coragem, e, não mude

    Salvo melhor juízo

    Estarás no paraíso

    Um taura nunca se ilude!

     

    Boa conduta é significativa

    Nunca perca este rumo

    Mantenha-se no prumo

    Somos cheios de defeitos

    Jamais seremos perfeitos

    O Homem de maior luz

    Morreu pregado na cruz

    Barco que fica a deriva

    É por de iniciativa

    Do timoneiro que conduz!

     

    Sucesso de vida e futuro

    Vai depender tu mesmo

    Aquele que fala a esmo

    Nunca terá ressonância

    É perfume sem fragrância

    Mas pode produzir coceira

    Também o que não cheira

    O Gaudério do pêlo duro

    Não fica em cima do muro

    Ou encerrado em mangueira!

     

    Quanto Maior a privação

    Mais experiência tu terás

    Cada problema nos traz

    Boa eficácia no combate

    É só tomar alguns mates

    Que a idéia fica mais clara

    Isto tudo só se compara

    Com a paz vinda do coração

    Efeito salutar do chimarrão

    Erva daninha – Vira coivara!

    Poetizando Gauchismos

     

     

     Poesia: Pra não se contaminar

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Um missioneiro chama atenção!

    Da valoração da cultura regional,

    Estamos trocando costume local.

    Que deve ser mantido a todo custo,

    Pra depois não nos dar susto.

    Vamos deixar de lado a importação

    Alienígenas culturas de outra Região

    Devemos abominar até as entranhas.

    Nas cidades e na campanha; é o

    Nativismo ao derredor do fogão!

     

    As musicas, poesias e romances,

    Nacionais e regionais com raízes;

    Podemos nos tornar aprendizes.

    Com nossa honradez peculiar

    Somos obrigados a detestar

    Contraculturas de desmanche

    As quais hoje é uma avalanche

    Que nos deixam horrorizados

    Esse tal de mundo globalizado

    Leva meus piás ao "Free Lance"!

     

    Concito-o a conhecer ancestrais

    Espanhóis, Italianos, Portugueses,

    Alemães, Russos e Poloneses.

    Também a nativa cultura latina

    Homens guerreiros que fascina

    Pela ousadia domavam animais

    E pela valentia as tribos rivais

    Tenacidade forjada em cadinho

    Temperando bravura e carinho,

    Peleando; entregar-se jamais!

     

    Deixe tua alma falar um bocado;

    É assim que se prepara o futuro

    Pra deixar o Rio Grande seguro

    Agüentando a qualquer repuxo

    Não deixe morrer o "Gaucho"

    Com calma sem ser afobado,

    Vamos transmitir os legados!

    Não faça os guris de capacho

    Querendo empurrar goela abaixo!

    Tradição e culturas de passados.

     

    As poesias e ate as canções

    Estão se perdendo no tempo

    Célere e a todo o momenta

    Não deixe os vestígios locais

    Se esvaírem nos mananciais

    Saiba causar boas impressões...

    Traga a gurizada aos "galpões"

    Abra a porteira pros grumetes

    Depois sim, coloquem no "brete"

    Pra que sigam nossas tradições!

     

    Patronagern de boa cepa

    Nos CTGs sao bem vindos

    Dando boas novas ao piazedo

    Estes estão reproduzindo

    Bons frutos no arvoredo

    Selecionando seiva pro mate

    Firmezito que nem mascate

    Tangendo os bois da carreta

    Sem deixar para os sotretas

    Alma vitoriosa nesse embate.

     

    Cerrando varas da mangueira

    Parabenizo aos Patrões

    Condutores dos "Galpões"

    Que mantém nossa cultura Viva...

    E sempre a altura De galhardos "Farroupilhas"

    Nos entreveros em coxilhas

    Que carrearam nessa esteira

    Os costumes e boas maneiras

    O cambão arrasta tudo, se tiver a cavilha!

     
    *