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    May 11

    O MTG EM POESIA NO PLANATO CENTRAL

    ASSIM NASCE O MTG NO PLANALTO CENTRAL

    Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Os primeiros entendimentos

    Que os CTGs encontraram

    Foi em 90 como lembraram

    Os peões que residiam aqui

    Onde o Querência de Buritis

    Com os seus departamentos

    E a Querência de Formosa

    Entre versos danças e prosas

    Apoiara-se em seus Posteiros

    Do Movimento foram pioneiros!

     

    Nesse primeiro tiro no embate

    Ficou acertado entre o Patrão

    Com um baile inaugurar o salão

    Na cidade de Formosa do Goiás

    Convidando patrões e capataz

    Para reunir sem combate

    Num chasquezito magistral

    Intimados CTGs do Planalto Central

    Reunidos nesta empreitada

    A semente aqui estava plantada!

     

    Aos trinta dias de novembro

    Em mil novecentos e noventa e um

    Nova Querência de Buritis foi o boom

    Na seriedade que o assunto trata

    Foi escrita do planalto a 1ª Ata

    Esse é o prógono que me lembro

    Mudando o rumo da banda

    Fizemos-nos representar na Holanda

    Sendo a Estância Gaúcha do Planalto

    A eleita nossa tradição deu um salto!

     

    Em sete de março de noventa e dois

    Costurou-se com grande galhardia

    Os primórdios da coordenadoria

    Esse evento com cunho nativista

    Uniria as invernadas tradicionalista

    Ainda bem o melhor veio depois

    Sendo aceito sem abstinência

    Que o eleito teria a competência

    Caberiam a ele todas as decisões

    Dos Posteiros aos Patrões!

     

    O primeiro fandango integrado

    Foi trinta de maio em Formosa

    No Goiás cidade mimosa

    São idéias que se movem

    1º baile da Prenda Jovem

    Coordenador bem ratificado

    Dezessete de outubro desse ano

    Todos esses qüeras soberanos

    Patrões Artística e a Campeira

    Fizeram os elos da esteira!

     

    Houve tantos outros eventos

    Mas em 26 de novembro de 94

    Há que registrar o fato

    Pois foi um ícone pra Tradição

    Nesse dia fundou-se a Federação

    A qual carregaria nos tentos

    Regendo com partitura formal

    Todos os CTGs do Planalto Central

    Passando Estatutos e Portarias

    À todas as coordenadorias!

     

    Adotado de forma simples

    Em julho de noventa e seis

    Ainda como hoje conheceis

    A Carta de Princípios do Movimento

    De Glaucus Saraiva o documento

    Código de Ética nos trinques

    Que pra nós foi um achado

    Autoria de Praxedes da Silva Machado

    Traje alternativo da Prenda do coração

    De Dinara Xavier da Paixão!

     

    Aqui também já foi sede

    De Rodeio do 10º FENART

    Ao final julho fizemos nossa parte

    À CBTG oferecemos conforto

    Camperiada na Granja do Torto

    Dois mil e um o ano que sucede

    Ficando com jeitão meio rude

    Mas esperamos que não mude

    No Planalto o Movimento dos Gaúchos

    Contando a História desprovida de luxo!

    VIGILÂNCIA SANITÁRIA EM POESIA

    FEBRE AMARELA

    Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Se tu achas que o macaco

    Não tem nada a ver contigo

    Então qual é o castigo

    Que nos deu nosso Patrão?

    Estou vendo todo peão

    Já com o pala em farrapo

    Correndo a campo fora

    Sem as rosetas da espora

    Perturbado ao ver o mato

    E o garrão fica um trapo.

     

    E o motivo é conhecido

    Com medo de um mosquito

    Carrega febre o maldito

    Pra ninguém ele dá trela

    Produtor de febre amarela

    E os gaudérios desprevenidos

    Que não tomaram a vacina

    Estão de orelha em cima

    Com o sorriso contido

    A chinoca olha o marido.

     

    Já morreu uns quatro ou cinco

    Lá pras bandas do planalto

    Tchê! E não foi por assalto

    Ou por doença de mulher

    E não é porqueira qualquer

    Eu te digo com afinco

    Sem medo de estar errado

    O povo está desconfiado

    Encolhendo até os pintos

    E dessa coisa eu não brinco.

     

    Formam bichas gigantescas

    Nas portas de todo Posto

    Causando muitos desgostos

    Ao caudilho metido a sebo

    Pois eles estão com medo

    Porque também não são bestas

    Procuram em todos costados

    Meios de serem vacinados

    Com cenas até grotescas

    Sem gritos de alas-frescas

     

    Tu precisas ver o desespero

    No sentido da semelhança

    Será que somos herança

    De algum orangotango

    Cruzado ao fim do fandango

    Quem será nasceu primeiro?

    Será que foi o macaco ou nós?

    Perguntei aos meus avós

    Sobre este entrevero

    Sem resposta por inteiro.

     

    Acredito que a ciência

    Possa me dar a resposta

    Por hora quem não gosta

    É minha santa mãezinha

    Outro dia a pobrezinha

    Com toda sua experiência

    Não soube explicar ao filho

    Estória de macaco e caudilho

    Acabou a sua paciência

    Teve que pedir clemência.

     

    Deste modo peguei valente

    Choramingando nos cantos

    Me bombeando com espanto

    Questionando o assunto

    Neste barco estamos juntos

    Sem poder ficar doentes

    E já tem índio de coragem

    Pensando outras bobagens

    Formando uma corrente

    Plantando estas sementes.

     

    Nunca vi um mosquitinho

    Pegar macaco e a indiada

    Dar somente uma picada

    E matar de febre amarela

    Os gordos e os magrelos

    Mesmo junto ou sozinho

    O jeito é nós não vacilar

    Indo ao Posto se vacinar

    Vai doer só um pouquinho

    Ou perderás pro malhadinho.

     

    Até dez anos fica tranqüilo

    Depois tem que tomar reforço

    Para não carregar no dorso

    O pernilongo da dengue

    Voltando a novo perrengue

    Pensando sempre naquilo

    Como vou ser imunizado

    Com bicha pra todo lado?

    Mais dez dias de cochilo

    As recomendações de estilo.

     

    Agora tu viste a semelhança

    De nosotros e os macacos

    Todos os dois somos fracos

    Diante do Aedes-Aegipty

    Te digo, parceiro, acredite

    Não entre de novo na dança

    Tanto faz... Velho ou guri

    Morre com a febre do sagüi

    Te vacine com constância

    Leve os peões da tua estância!

    May 08

    Ore; antes de sair de sua casa

    A oração da Vitória

     

    Meu Deus no dia de hoje eu preciso da tua mão eu preciso da Tua direção, abençoa o meu dia de trabalho coloca a Tua mão em tudo que eu fizer, abra os meus olhos para que eu veja a solução de todos os meus problemas, abra meus olhos para que eu tenha a direção certa, a direção da vitória para que eu tenha sucesso em tudo que hoje eu fizer. Meu Deus me ajuda, meu Deus me dê forças eu preciso da Tua sabedoria da Tua inspiração, não me deixe errar, não me deixe tropeçar, não me deixe enganar não permita a minha cegueira espiritual, não permita a minha falta de visão, mas peço-te que me abra os olhos para que eu veja a minha vitória, para que eu veja os meus sonhos realizados, porque o Senhor está comigo e é maior que todos os meus problemas.

     

    Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. II Rs 6.16

     

    Desde já eu te agradeço... Amém.

     

    O homem fiel será cumulado de bênçãos...     Pv. 28.20

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    A oração da Vitória em Setembro

     

    Meu Deus muitos são as minhas lutas, muitos são os meus problemas, tenho passado por momentos difíceis, mas sei que o Senhor é maior, que o Senhor é o Deus dos impossíveis. Meu Deus eu clamo pela minha independência, pela minha liberdade, não me deixe depender do homem, depender de remédios, depender de favores, depender de empréstimos, chega de humilhação, chega de sofrimento, chega de fracassos.

    Meu Deus eu confio em ti, na Tua poderosa Mão, pois a Tua Mão não está encolhida, mas sim estendida para a minha vida, O Senhor disse que os humilhados seriam exaltados, e disse que faria Justiça aos Teus escolhidos. Então, exalta a minha vida, faz justiça na minha família, peleja pela minha vitória e traz a minha independência total e completa.

     

    Eu confio em Ti e no Teu Poder.

     

    Desde já eu te agradeço meu Deus - Amém!

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    Poesia para um amigo gaúcho

     

    Poesia: Não é Sonho, existe a Estrela Kuhn

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    O sonho descrito neste arauto.

    Traz o pedigree de Tupaciretã,

    E da família de origem Alemã.

    São Pedro - Embalou o “Guri”,

    Que nasceu à margem do Toropi.

    Cantiga de ninar era o minuano...

    Assim passaram-se alguns anos;

    Veio o trocadilho de sobressalto;

    De lá - Prosperou neste Planalto!

     

    Gaudério e do queixo roxo,

    Nunca se achicou pro destino

    Convivendo com outros primos,

    Que ganharam novos nortes,

    Não tiveram a mesma sorte;

    Deste piazinho porqueira;

    Que já nasceu com estrela...

    Refletida no abismo do poço.

    O luminar desta é o endosso!

     

    São Pedro do Sul é longe de Iraí

    Como era difícil mudar a cidade,

    Naquela época. - Em verdade.

    Inda mais quando se descobre,

    Que vivemos em família pobre.

    Temos a plena consciência;

    Da luta pela sobrevivência.

    E as coisas não param por aí.

    Porém, é tarde para desistir!

     

    Güéra destemido e peleador.

    Aprendeu a lutar de facão,

    Sem perder peleia pra peão,

    Manuseava também a espada

    Mui respeitado pela gurizada.

    Conhecido pelas redondezas,

    Por sua agilidade e destreza.

    Se garantia num destorcedor,

    Ginete pacholento e sonhador!

     

    E por falar nas gineteadas

    Cabe aqui, um parêntese,

    Em piá já mirava o oriente;

    Embora birrento, casmurro,

    Trocou a égua, por um burro,

    Bem vistoso, porém, redomão.

    O sarapico amansou o burrão.

    As paletas; do asno; furadas,

    Da espora com roseta travada!

     

    Oigale-tê piá, bom de briga.

    E foi em uma dessas peleias...

    A coisa encrespou, ficou feia;

    E diante de tamanho tumulto,

    Não se achicou; aos insultos.

    Deixou a cara do outro em fatia,

    Tendo que se mandar a La cria;

    Abandonou tudo. A mãe e o pai.

    Serpeando a nado o rio Uruguai!

     

    A procura de Palmitos, Caibi, Iporã,

    Encontrou Descanso; e Guaraciaba;

    São Miguel do Oeste ficou na estrada,

    Em São José do Cedro, o céu ta azul,

    Palma Sola, e a oeste Guarujá do Sul,

    Nessa peregrinação fugidia matreira

    Acrescento ainda Dionísio Cerqueira,

    E se; a minha memória não me trai...

    Trouxe alguns chibos do Paraguai!

     

    Cresceu é natural... Virou homem.

    Chegada à hora de sentar praça;

    Brasileiro não pode negar a raça.

    A luminescência da estrela inicia,

    Ostentar a verde-oliva era loteria.

    E daqueles conscritos designados,

    Só dois deles, seriam aproveitados.

    No sorteamento, ainda faltava um,

    E a escolha foi: - Adão Ernani Kuhn!

     

    Assentado no quartel em Santo Ângelo,

    Na Companhia Média de Manutenção,

    Ponto zero da ascendência do Alemão.

    Inscrito no curso de cabo mecânico;

    Adoeceu e faltoso; ficou em pânico.

    E no hospital em que era paciente,

    Foi convidado para o contingente.

    Assim daquele curso foi desligado;

    Transferido e no Hospital instalado!

     

    Ali podia estudar e seguir carreira...

    Esquecendo a lenha e a serra fita;

    Ser sargento; é sonho que acredita.

    Concluiu o curso que pretendia;

    Porém, vaga que é bom não havia.

    Exímio datilógrafo, sem exagero;

    Cambiou-se para o Rio de Janeiro.

    Sem dinheiro, vivendo apertado...

    Pilas? Só da graduação de Soldado!

     

    Esta viagem; foi uma eternidade.

    Agrura que se somou com outras;

    Aonde comer, e; trocar de roupa,

    Ao lado do forno do Maria-Fumaça?

    As fagulhas completam a desgraça.

    A farda em três dias ficou furada,

    E não tinha outra, pra ser trocada.

    Percorreu essas léguas num trem;

    Chega ao Rio, com poucos Vinténs!

     

    Deus, quando escolhe alguém,

    Cumpre o propósito, e; é Fiel.

    Ao chegar lá no novo Quartel,

    Além de esforçado; é sortudo,

    Sem nunca parar os estudos;

    Vaticinando num dia profético,

    Disse: Um dia eu serei médico.

    O vestibulando, cumpre a sina,

    Passa com louvor; em medicina!

     

    Tchê! Esta nova etapa foi dura.

    Agora nesta vivência moderna;

    Entre a faculdade e a caserna,

    Estudar, trabalhar e dar serviço,

    E; sem abandonar os cambichos.

    Conduziu muito bem estes luxos.

    Consolidando a fama do “Gaúcho”.

    Pinguanchas? Quase uma por mês;

    Até que levou um pealo da “Inez”!

     

    O segundo sargento vira médico.

    Não queria deixar de ser milico.

    Sonhava grande, não era Chico.

    Para o Rio Grande queria voltar;

    Agora um oficial, médico-militar.

    Sustentando ousadias de ginete;

    Foi ser tenente, lá no Alegrete.

    De inhapa a Prendinha do Pealo;

    Foi ajoujada à vida do vassalo!

     

    Ernani e Inez; resumos de história.

    Que orgulha a qualquer família;

    Cidadãos honoríficos em Brasília.

    Fiz nos versos um pequeno cenário,

    Para te desejar “Feliz Aniversário”.

    Teus amigos obtiveram privilégios,

    Que não se conquista em colégios.

    Tu sim; és “GAÚCHO” literalmente.

    Obrigado por ti estar junto à gente!


     

    Poetizando gauchismos

    PELEANDO CONTRA O TEMPO    -    Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Ao candeeiro faltou querosene

    Se ao menos sebo tivesse

    E quando isso até acontece

    Já quebraram as lamparinas

    Acenderam velas de parafina

    Poluindo bem mais o ambiente

    Sangas ainda que perenes

    Contaminam as mãos da gente

    E antes que alguém me condene

    Me dê uma solução diferente!

     

    O importante não é a vasilha

    E sim o que tem dentro dela

    Se tu olhar através da janela

    De um galpão abandonado

    Sempre existirá um passado

    E imaginando uma noite fria

    Onde este serviu de abrigo

    Sem saber o que ali havia

    Certamente o catre antigo

    Nesse instante tem serventia!

     

    Despojado de toda ciência

    Nos resquícios de antanho

    Reunindo tropilha e rebanho

    Sinto pulsar rude meu pampa

    O gaúcho em sua estampa

    Pára-rodeio na consciência

    Como um monge num retiro

    Vira guri sem experiência

    E se perde num longo suspiro

    Contemplando a querência!

     

    Ao arrastar minhas chilenas

    Indo em direção ao rancho

    De repente me engancho

    Numa piola perto do dique

    Diz-que é o tal de joystick

    Pedi proteção ao Mecenas

    Para não perder o enfoque

    Passando os dedos na melena

    Lembrei-me do meu bodoque

    Veja! A evolução me condena!

     

    Dentro do casarão tapera

    Ainda resiste a cristaleira

    Uma mesa de madeira

    Meio capenga das pernas

    Certeza não são modernas

    Porém, a tuia virou quirera

    Carcomida pelos cupins

    E num sonho de quimera

    Índios xirus e os curumins

    Espiava o reto virar Portela!

     

    Eu não vou me entregar

    Não fui parido de susto

    Nas tarcas virei augusto

    Mas levei uns manotaços

    Da picana eu fiz compasso

    Batuteando o carretear

    Segurei firme a regera

    Sentindo o tempo rodar

    Madrugo e não vejo a boieira

    A tradição começa a agonizar!

     

    Estou juntando fragmentos

    De um filme de atavismos

    Passam atos de heroísmos

    Adonde tauras valentes

    Série em epopéias ardentes

    Sem recuar um só momento

    Mantiveram acesa a chama

    Peleando através dos tempos

    Em cima de suas badanas

    Trançando os pensamentos!

     

    Não quis amealhar mais nada

    Sentindo um aperto no peito

    Que fiquei meio sem jeito

    E quando volvi para trás

    Bueno! Era tarde demais

    O pampa todo virou estrada

    Não há flexilhas é só concreto

    Observo entreveros da peonada

    Dos doutores e dos analfabetos

    Eu! Desisto dessa empreitada!

    Poetizando costumes do gaúcho

    Poesia: Meu nobre lenço Colorado

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Meu nobre lenço encarnado,

    De velho já cheira a picumã...

    Presente da minha irmã;

    Lá nas tarcas de setenta;

    Não sei como ainda agüenta,

    Tantos janeiros de trabalho,

    Com sol, vento chuva e orvalho!

     

    Tu pra mim é uma relíquia;

    De grande valor sentimental;

    Gesto de carinho e amor fraternal.

    Por falta das tais patacas;

    Comprava as pilchas sem pressa.

    Porém, dentro da minha bruaca,

    Havia a falta dessa peça.

     

    Certa feita ainda frangote,

     Fui convidado para um sarau.

    Na Primeira Querência do

    Rio Grande; velho São Nicolau.

    Para ser par de uma Prenda,

    Como eu não tinha o bendito

    Provocou-se uma contenda.

     

    Comprei o resto da indumentária;

    Mais apertado que rato em guampa.

    Mas melhorei muito na estampa.

    E naquela noite de gala...

    Com o trinta cheio de bala,

    Ajoujado à Prendinha Laura,

    Dos outros... Eu era o mais Taura!

     

    O vermelho não é por acaso...

    Tão pouco por desacato.

    Sou um índio Maragato;

    Colorado desde piazinho;

    Tapejara, sabedor do caminho.

    E pra ficar bem ratificado;

    Missioneiro e mal domado!

    Tu já estás todo furado...

    Do ferro e das cochonilhas;

    Mas é um símbolo Farroupilha,

    Escolhido com todo critério;

    Para proteger este Gaudério;

    É quase um amuleto da sorte;

    Em peleias, já me livrou da morte!

     

    E ao te ver tão desbotado;

    Surrado como o Evangelho;

    Eu também; fiquei mais velho.

    O que se renova; na existência;

    É o sedimento de experiências;

    Transferida às novas gerações,

    Com saudosismos e emoções!

     

    Numa carpeta de truco;

    Quando alguém envidava;

    Nas cartas se misturava;

    Sem perder a tua cor;

    Pois sempre testemunhava;

    A melhor de todas “FLÔR”.

    De “espadas”, sim senhor!

     

    Meu cusco outro dia;

    Do lenço fez travesseiro;

    Me bombeando mui faceiro;

    Aprumado e no capricho,

    Devereda arrumou cambicho,

    Com a famosa “cadela baia”

     Oi-ga-le-tê! Isso é “rabo-de-saia”!

     

    Ficaria proseando muitas horas...

    Meu velho lenço “colorado”.

    Só pra relatar nosso passado;

    Eis algumas das serventias:

    -Turbante; nos cabelos das gurias,

    -Lático; tamueiro; fez papel de tento.

    Juro! Tu jamais cairás no esquecimento!


     

     

    Poetizando Gauchismos

    Poesia: PAC – Programa de Atraso ao Campesino

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Os incautos que se cuidem,

    Estamos num beco sem saída;

    Jamais teremos a guarida

    Do Patrão Velho bondoso

    O progresso é mui perigoso

    São contratos que iludem

    Deixando peões com tristeza

    Dá muita alegrias as empresas

    Mas no final do deslinde

    Só sobra o sangue no ringue!

     

    Abichornado no meu canto

    Sorvendo o meu mate amargo

    De Patrão só tenho o encargo

    Tive que despedir a peonada

    Pra poder dar bóia à gurizada

    Só me restando o acalanto

    De minha paciente chinoca

    O molejo dela ainda provoca

    Como resistirei seu encanto?

    Não dá pra ter guri, no entanto!

     

    O que será de um xirú pobre

    Que tira o sustento da terra?

    A evolução está nessa guerra

    Contrariando o matuto na roça

    Não há mais lugar pra carroça

    Ela transportava até os nobres

    Ficou esquecida junto ao galpão

    Sem animais para fazer a tração

    E antes que o aperto redobre

    Vou vender os ferros e o cobre!

     

    Os cavalos comparsas e amigos

    Das domingueiras e carreiradas

    Com pêlos e as crinas cuidadas

    Sabiam puxar arados e gaiota

    Certo dia o progresso idiota

    Fazendo calejar mais o castigo

    É quase um bridão sem barbela

    Foi pra cidade e virou mortadela

    No cenário de pindaíba que vivo

    Estou pedindo ajuda a mendigos!

     

    Os guaipecas tiveram mais sorte

    O destino deles foi menos infame

    Viraram xodó de alguma madame

    Bois? Há muito tempo nem falo

    O cochincho que era o meu galo

    Estão todos no corredor da morte

    E até um frangote, o mais novo

    Virou carne pra risoto no povo

    A destruição do campo esta forte

    Até penso em ganhar outro norte!

     

    Ainda o que complica compadre

    Minha chinoca não pára as crias

    Há pouco me vieram duas gurias

    Para se ajuntar com os três piás

    Ainda tenho receio e é capaz

    De acordo com o dito do Padre

    Para mim ta de novo buchada

    Desse jeito, nem santo me ajuda

    Outra vida traz alegria é verdade

    Porém a falta de pila é maldade!

     

    Fiz um chasque ao Presidente

    Bah! Tchê!, Eu mal sei escrever

    E queria muito compreender

    Esse Programa de Crescimento

    Será que eu sou um jumento;

    Ou o único qüéra descontente?

    Fico acabrunhado ao perguntar

    Por que só a cidade tem lugar?

    Ainda há muita coisa pendente

    Esqueceram de novo da gente?

     

    Não queremos nada de graça

    Só o que pedimos meu Patrão

    É que acabe com essa exclusão

    Olhe para o Gaúcho no campo

    Capataz; uma coisa eu garanto

    Não vamos beber a tua cachaça

    Tiramos da terra nosso sustento

    Embora com todo contratempo

    Honramos a digna bombacha

    Seja na chuva ou sol que racha!

     

    Qualquer indústria mercantil

    Confies; tem espaço no pampa

    Saiba; o progresso aqui se alavanca

    Sem precisar de muita gramática

    As famílias não são emblemáticas

    Trabalhadores sem serem servil

    Cidadãos herdeiros de Farrapos

    Defensores dos humildes e fracos

    Sinuelos da evolução agro-pastoril

    Nos pampas e em todo o Brasil!

     

    “A indústria que enriquece os homens; é a mesma que extinguirá o futuro”

     

    -Paulo Bambil-

    Poetizando Gauchismos

    ÍNDIO DA TERRA GAÚCHA

     

    Paulo Moacir Ferreira Bambil

    Índio parido da pampa

    Às margens do Uruguai

    Ficou logo sem mãe e pai,

    Mas isso não prescindia...

    Pois era a luz do dia,

    Que a natureza acalanta

    Protegendo do perigo.

     

    Não conhecia inimigo.

    Tigre que não se espanta!

     

    Adotado por padre Jesuíta;

    De idade desconhecida;

    Preparado assim para a vida,

    Lá em São Miguel Arcanjo.

    Cresceu e virou marmanjo;

    Numa bondade infinita.

    Qüera taura e valente.

    Exemplo aos descendentes

    E todos que na terra habita!

     

    Nomeado corregedor;

    Do povo de São Miguel,

    Fundando lá o seu quartel;

    O supremo comandante.

    Deixou a redução confiante,

    Esse inteligente provedor,

    Com grandes objetivos.

    Tinha apreço aos nativos

    E não gostava de invasor!

     

    Aprendeu todos os enredos,

    Na condução do povoado.

    Foi pelos padres educado,

    E em defesa da mãe terra,

    Sempre pronto para a guerra.

    Estrategista e sem medos,

    Na formação dos soldados.

    Lanceiros bem adestrados;

    Depositários dos segredos!

     

    Centauro em cima do flete;

    Guardião da terra gaúcha;

    Telurismo que lhe puxa,

    Vigiando os Sete Povos;

    Ensinando aos mais novos,

    Como se compromete,

    Para preservar a natureza,

    Conservar dela a pureza.

    Parte que nos compete!

    Porém os dois reinados;

    De Portugal e Espanha,

    Do solo fizeram barganha.

    E toda pampa missioneira,

    Do litoral até a fronteira.

    Vazia sem os povoados.

    Trocada sem consentimento,

    Pela Colônia de Sacramento.

    Deixou o guerreiro revoltado!

     

    Foi então que o índio Sepé,

    Cria de São Luiz Gonzaga.

    Convocou toda a indiada,

    Pra defender o torrão;

    Pois era parte desse chão.

    E na batalha de Caiboaté,

    Com denodo e galhardia;

    Terçou ferro nesse dia;

    Tombou! A alma ficou em pé!

     

    Lavou a terra com sangue...

    Abraçando-a devagarzinho.

    Beijou ela com carinho.

    Não ganhou esse troféu;

    Mas bombeia ela, lá do céu.

    É o dono do Rio Grande.

    E desde pequeno curumim,

    Já galopava do Chuí ao Erexim.

    Deixe que o minuano te comande!

     

    Hoje vejo índios sem terra,

    Perdidos nas periferias,

    Com a incerteza dos dias,

    Passando necessidades,

    Alienados das sociedades,

    Sem os rios matas e serra.

    Todos foram derrotados,

    Mesmo sem ter peleiado.

    “Nessa ímpia e injusta guerra”!

     

    Cacique gaúcho; Rei sem trono;

    Não percas nunca a tua fé,

    Siga o catecismo de São Sepé.

    Alce perna em teus cavalos;

    Mostre a lança aos vassalos.

    Gerações estão no abandono.

    Tua arma? –É o teu idealismo.

    Grite! Alto e sem cinismo!

    “Esta Terra, ainda tem dono”!

    Poetizando Gauchismos

     Poesia: Qualificando o Gaúcho

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    O gaucho é ser sentimental,

    Não pense que é insensivel,

    Embora não seja visível

    Campeia sempre o bem estar

    Felicidade em primeiro lugar

    Pois as coisas são relativas

    Absolutismo é sem assertiva

    É manotaço de um Bagual

    O efeito do coice é bem real

    Sobram respostas evasivas!

     

    Existe no Sul afeto humano

    Evoluindo a qualquer qüéra

    Não se dá ô-de-casa em tapera

    Em se tratando de honestidade

    Talvez seja a maior qualidade

    Cultivada em todo galpão

    Numa roda de chimarrão

    Pelos maulas e soberanos

    Desde guri, já herdamos

    Usos e costumes da tradição!

     

    Todo vivente tem um cérebro

    Usá-lo é que se torna difícil

    Pois pensamento é um míssil

    O potencial de longo Alcance

    Basta dar ao índio a chance

    De mostrar sua capacidade

    Os campeiros e os da cidade

    O brilho mental é célere

    E tu nunca desconsideres

    A faixa etária da idade!

     

    Existem sofrimentos sérios

    Que não podemos fugir

    Porém, costumamos fingir

    Que estes doem tanto

    Pois se não, perde o encanto

    Da procura dessa causa

    Se tu precisares de pausa

    Para continuar na matéria

    Descanse tire umas férias

    Deixe um hiato na cláusula!

     

    Nunca negue um sorriso

    Ainda mais se for criança

    Se convide para a dança

    E ao sorrir não seja falso

    Creia que nesse encalço

    Tu demonstras atitude

    De coragem, e, não mude

    Salvo melhor juízo

    Estarás no paraíso

    Um taura nunca se ilude!

     

    Boa conduta é significativa

    Nunca perca este rumo

    Mantenha-se no prumo

    Somos cheios de defeitos

    Jamais seremos perfeitos

    O Homem de maior luz

    Morreu pregado na cruz

    Barco que fica a deriva

    É por de iniciativa

    Do timoneiro que conduz!

     

    Sucesso de vida e futuro

    Vai depender tu mesmo

    Aquele que fala a esmo

    Nunca terá ressonância

    É perfume sem fragrância

    Mas pode produzir coceira

    Também o que não cheira

    O Gaudério do pêlo duro

    Não fica em cima do muro

    Ou encerrado em mangueira!

     

    Quanto Maior a privação

    Mais experiência tu terás

    Cada problema nos traz

    Boa eficácia no combate

    É só tomar alguns mates

    Que a idéia fica mais clara

    Isto tudo só se compara

    Com a paz vinda do coração

    Efeito salutar do chimarrão

    Erva daninha – Vira coivara!

    Poetizando Gauchismos

     

     

     Poesia: Pra não se contaminar

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Um missioneiro chama atenção!

    Da valoração da cultura regional,

    Estamos trocando costume local.

    Que deve ser mantido a todo custo,

    Pra depois não nos dar susto.

    Vamos deixar de lado a importação

    Alienígenas culturas de outra Região

    Devemos abominar até as entranhas.

    Nas cidades e na campanha; é o

    Nativismo ao derredor do fogão!

     

    As musicas, poesias e romances,

    Nacionais e regionais com raízes;

    Podemos nos tornar aprendizes.

    Com nossa honradez peculiar

    Somos obrigados a detestar

    Contraculturas de desmanche

    As quais hoje é uma avalanche

    Que nos deixam horrorizados

    Esse tal de mundo globalizado

    Leva meus piás ao "Free Lance"!

     

    Concito-o a conhecer ancestrais

    Espanhóis, Italianos, Portugueses,

    Alemães, Russos e Poloneses.

    Também a nativa cultura latina

    Homens guerreiros que fascina

    Pela ousadia domavam animais

    E pela valentia as tribos rivais

    Tenacidade forjada em cadinho

    Temperando bravura e carinho,

    Peleando; entregar-se jamais!

     

    Deixe tua alma falar um bocado;

    É assim que se prepara o futuro

    Pra deixar o Rio Grande seguro

    Agüentando a qualquer repuxo

    Não deixe morrer o "Gaucho"

    Com calma sem ser afobado,

    Vamos transmitir os legados!

    Não faça os guris de capacho

    Querendo empurrar goela abaixo!

    Tradição e culturas de passados.

     

    As poesias e ate as canções

    Estão se perdendo no tempo

    Célere e a todo o momenta

    Não deixe os vestígios locais

    Se esvaírem nos mananciais

    Saiba causar boas impressões...

    Traga a gurizada aos "galpões"

    Abra a porteira pros grumetes

    Depois sim, coloquem no "brete"

    Pra que sigam nossas tradições!

     

    Patronagern de boa cepa

    Nos CTGs sao bem vindos

    Dando boas novas ao piazedo

    Estes estão reproduzindo

    Bons frutos no arvoredo

    Selecionando seiva pro mate

    Firmezito que nem mascate

    Tangendo os bois da carreta

    Sem deixar para os sotretas

    Alma vitoriosa nesse embate.

     

    Cerrando varas da mangueira

    Parabenizo aos Patrões

    Condutores dos "Galpões"

    Que mantém nossa cultura Viva...

    E sempre a altura De galhardos "Farroupilhas"

    Nos entreveros em coxilhas

    Que carrearam nessa esteira

    Os costumes e boas maneiras

    O cambão arrasta tudo, se tiver a cavilha!

    January 16

    O MACACO-O HOMEM-PERNILONGO E A FEBRE AMARELA

    Poesia: Febre amarela

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Se tu achas que o macaco

    Não tem nada a ver contigo

    Então qual é o castigo?

    Que nos deu nosso Patrão?

    Estou vendo todo peão

    Já com o pala em farrapo

    Correndo a campo fora

    Sem as rosetas da espora

    Perturbado ao ver o mato

    E o garrão fica um trapo.

     

    E o motivo é conhecido

    Com medo de um mosquito

    Carrega febre o maldito

    Pra ninguém ele dá trela

    Produtor de febre amarela

    E os gaudérios desprevenidos

    Que não tomaram a vacina

    Estão de orelha em cima

    Com o sorriso contido

    A chinoca olha o marido.

     

    Já morreu uns quatro ou cinco

    Lá pras bandas do planalto

    Tchê! E não foi por assalto

    Ou por doença de mulher

    E não é porqueira qualquer

    Eu te digo com afinco

    Sem medo de estar errado

    O povo está desconfiado

    Encolhendo até os pintos

    E dessa coisa eu não brinco.

     

    Formam bichas gigantescas

    Nas portas de todo Posto

    Causando muitos desgostos

    Ao caudilho metido a sebo

    Pois eles estão com medo

    Porque também não são bestas

    Procuram em todos costados

    Meios de serem vacinados

    Com cenas até grotescas

    Sem gritos de alas-frescas

     

    Tu precisa ver o desespero

    No sentido da semelhança

    Será que somos herança

    De algum orangotango

    Cruzado ao fim do fandango

    Quem será nasceu primeiro?

    Será que foi o macaco ou nós?

    Perguntei aos meus avós

    Sobre este entrevero

    Sem resposta por inteiro.

     

    Acredito que a ciência

    Possa me dar a resposta

    Por hora quem não gosta

    É minha santa mãezinha

    Outro dia a pobrezinha

    Com toda sua experiência

    Não soube explicar ao filho

    Estória de macaco e caudilho

    Acabou a sua paciência

    Teve que pedir clemência.

     

    Deste modo peguei valente

    Choramingando nos cantos

    Me bombeando com espanto

    Questionando o assunto

    Neste barco estamos juntos

    Sem poder ficar doentes

    E já tem índio de coragem

    Pensando outras bobagens

    Formando uma corrente

    Plantando estas sementes.

     

    Nunca vi um mosquitinho

    Pegar macaco e a indiada

    Dar somente uma picada

    E matar de febre amarela

    Os gordos e os magrelos

    Mesmo junto ou sozinho

    O jeito é nós não vacilar

    Indo ao Posto se vacinar

    Vai doer só um pouquinho

    Ou perderás pro malhadinho.

     

    Até dez anos fica tranqüilo

    Depois tem que tomar reforço

    Para não carregar no dorso

    O pernilongo da dengue

    Voltando à novo perrengue

    Pensando sempre naquilo

    Como vou ser imunizado

    Com bicha pra todo lado?

    Mais dez dias de cochilo

    As recomendações de estilo.

     

    Agora tu viste a semelhança

    De nosotros e os macacos

    Todos os dois somos fracos

    Diante do Aedes-Aegipty

    Te digo parceiro acredite

    Não entre de novo na dança

    Tanto faz... Velho ou guri

    Morre com a febre do sagüi

    Te vacine com constância

    Leve os peões da tua estância.

    November 03

    DE LAGUNA À SACRAMENTO

    Poesia: De Laguna à Sacramento

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

    laguna - Em Santa Catarina

    Plataforma de uma conquista

    O Rio Grande a perder de vista

    Tinha trabalho para os anzóis

    Sacramento na mão de Espanhóis

    E a cobiça da carne bovina

    Minerais das gaúchas minas

    Francisco de Brito Peixoto

    Desbravou caminhos escrotos

    Pra juntar as riquezas acima. 

    A Colônia de Sacramento

    Foi a desculpa esfarrapada

    Justificando a grande jornada

    Prejudicada pela geografia

    O Rio Uruguai – Resistia...

    Mostrando descontentamento

    Montanhas sopradas ao vento

    Tentaram impedir sem descanso

    Os barbarismos desse avanço

    Sangrento e de outros lamentos. 

    Atracadouros não havia aqui

    Obrigando a investida por terra

    Portugueses fizeram a guerra

    Em enfrentamentos constantes

    Matando os índios habitantes

    Eram nativos Charruas, Tupis,

    Coroados... Também Guaranis

    Santo Antônio dos Anjos foi uma

    Cidade pioneira em Laguna

    Baseando as investiduras ardis. 

    Organizou-se lá o movimento

    Rumando aos campos do Sul

    Imensos prados de céu azul

    Com rios, matas e animais

    Lembrar isto nunca é demais

    Servindo naqueles eventos

    De caminho até Sacramento

    Inicia-se com essa população

    Em São Pedro a devastação

    De orgulho e constrangimento. 

    Criou-se o “caminho da praia”

    Para estes recém chegados

    Homens rudes desalmados

    Desimpedida de índios nativos

    Por estes serem a eles nocivos

    Gado tinha aqui a la gandaia

    Desde o preto até a cambraia

    Mas a carne do boi charqueada

    Precisava de ser exportada

    Pro Rio, Bahia e outras raias. 

    Nisso a região Missioneira

    Ficou a mercê de Laguna

    Estes sem ética nenhuma

    Tomaram dos índios ervais

    Cavalos e outros animais

    Das matas fizeram lenheiras

    Verdade alargou-se fronteira

    Exploradores iam ao beleléu

    Até Maldonado e Montevidéu

    Sofreu nas ações Laguneiras. 

    A carta de Brito Peixoto

    Deixou claro o objetivo

    Mesmo a custa de castigo

    Consolidaria o povoamento

    De “Laguna à Sacramento”

    Rio Grande ainda era Potro

    São Pedro - O Santo maroto

    Resistiu... Ainda por meses

    Rendendo-se aos portugueses

    E donos de agora são outros. 

    Erguem-se os novos currais

    Com gado a perder de vista

    Surgem os contrabandistas,

    Estancieiros e Changadores

    Na caçada do gado professores

    Iniciou-se também algo mais

    Com esses nossos ancestrais

    Aqui chegando novos galegos

    Começa a escravatura de Negros

    Registrados em nossos anais.

    November 02

    Poesia - DEMOCRACIA GAMBETA

     

    Poesia: Democracia gambeta

    Versos de: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

        • Numa prosa bem bagual
        • Sobre o pampa e a cidade
        • Coloquei todas as verdades
        • Dos pelos-finos capitalistas
        • Endinheirados narcisistas
        • Com jeitão de topetudos
        • Sem ginetear um colhudo
        • Veja! Ainda somos animal
        • A diferença é só no visual
        • Eu acredito mais no cúiudo. 
            • Em minhas andanças teatinas
            • Tentiando o bico da gansa
            • Passeio em minha lembrança
            • E vejo que estamos rodeados
            • De muito senhor diplomados
            • Guapecas comedores de ovo
            • Sanguessugas estão lá de novo
            • Se escondendo atrás da batina
            • Guardiões de escolas cretinas
            • Sangradores do cofre do povo.  
                  • Há gente endeusando barbudo
                  • Espero que a sorte ainda mude
                  • De sotreta vadio que se ilude
                  • Em ganhar o sustento de graça
                  • Passa o dia fazendo trapaça
                  • Se tem tinta - Outros que pinte
                  • Levantem cedo no dia seguinte
                  • Ele até sabe disto aqui tudo
                  • Dorme pra ficar mais morrudo
                  • Sugando o peão contribuinte. 
                      • Estive fazendo uma analogia
                      • Dos tempos dantes e de agora
                      • Patrão de hoje não usa espora
                      • Mas sangra a nossa paleta
                      • Nesta democracia sotreta
                      • Feita de cobras peçonhenta
                      • O gaúcho já não agüenta
                      • Tantos cueras sem serventia
                      • Aumentando a cada dia
                      • Esta politicagem nojenta.
                          • Os agregados do nosso Rei
                          • Não querem sair da moita
                          • Estão há anos na apoita
                          • Não saem nem com reza braba
                          • Vivendo sempre na aba
                          • Gastando todos os centavos
                          • Dos pobres peões escravos
                          • O imposto é emolumento
                          • Já tirado do vencimento
                          • De prima e sem marasmo.
                              • Prometo... Desde agora
                              • Vou perseguir o bom trilho
                              • Passarei para meus filhos
                              • Que a escolha é importante
                              • Sei que ninguém garante
                              • Que tudo vai entrar no eixo
                              • Meu conselho - aqui deixo
                              • Escolham bem sem demora
                              • Governantes como de outrora
                              • Xirús éticos, duro de queixo.
                                  • Por muitas vezes fiz a pergunta
                                  • Aonde será que está o Gaúcho?
                                  • Queimaram todos os cartuchos?
                                  • Não sobrou nenhum taura?
                                  • Só restou a peonada maula?
                                  • Vamos mudar este conceito...
                                  • Sempre haverá preconceito...
                                  • Pra mudar a sorte do povo
                                  • Se precisar vamos de novo
                                  • Conquistar os nossos direitos.  

    “Ser livre é respirar o cheiro do Pampa” - Paulo Bambil - 

    August 27

    Ecossistema-SOS aos Farroupilhas

    Poesia: Ecossistema - SOS aos Farroupilhas
    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil
     
    Meu verso não é pra tolo
    Que se acha evoluído
    Sou mesmo meio atrevido
    Fazendo minhas poesias
    Para os Joãos e Marias
    Estes sim são eruditos
    Embora estejam solitos
    Restando-lhes o consolo
    De fazerem parte do bolo
    É o enfeite mais bonito!
     
    Frágil ecossistema agrura
    Nos pequeninos banhados
    Estão ficando destroçados
    Estes berços importantes
    O destino não lhes garante!
    Existência muito longa...
    Neste choro de Milonga...
    Com o pé na sepultura
    Assolados pela orizicultura
    Não acompanha a demanda.
     
    Vida lacustre e campesina
    Do Erechim a Patagônia
    Perdia só para a Amazônia
    Já se vão duzentos anos
    Destruídas pelos colonos
    Digo em poema pra ti
    Primeiro morto foi Gravataí
    Seguido por Santa Catarina
    Na crueldade da chacina
    Que ocorreu por aqui...
     
    Eles não mermaram solito
    Banhados de boa forja
    Entre Itaqui e São Borja
    Conhecido por São Donato
    Engrossou este relato
    Upamaroti em Dom Pedrito
    E São Gabriel ficou ralito
    Inhatinhum resta só caco
    Sofrendo nesse mau trato
    Sumiu tudo estamos frito.
     
    Há pedaços do Taim e,
    Santa Vitória do Palmar
    O assoreamento, afinal,
    É um fato da natureza
    Mas o homem com certeza
    Arrancando junco e capim
    Está decretando o fim...
    Com sua ação predadora
    Ao invés de ser protetora
    E a coisa vai indo assim.
     
    Não soluciono o problema
    Mas continuo empenhado
    Até o Ratão do banhado...
    Jacaré-do-papo-amarelo,
    Lontras, perderam o castelo,
    Capivara e outros roedores...
    População destruída a tratores
    É os sem teto do ecossistema
    Isto não se traduz em poema
    É a tragédia aos moradores.
     

    A cadeia alimentar e da vida

    Na terra, água e até no ar 

    Com o tempo vai se findar

    Pois uns dependem dos outros

    Não se salva nem os potros

    Tudo está enrolado em falácia

    As algas e caramujo Pomácea

    Quase acabados a inseticida

    Tornando os mariscos suicidas

    Ao ingerir droga dessa farmácia

     

    E por falar em vida aérea...

    Cadê a nossa Coscoroba?

    Não pousam mais nas perobas

    E o Cisne-do-pescoço-preto?

    Não engrossa mais o coreto

    Estes não sumiram sozinho

    Ali já não fazem seus ninhos

    Nem quando estão de férias

    Todos estão passando miséria

    Quiçá! Os outros Passarinhos.

     

    O papel do meu Rio Grande

    Na sinfonia da vida em guerra

    A natureza nos deu a terra...

    Pra nos fazer o costado

    Então vamos cuidar o banhado

    Podemos outros construir

    Para que possamos contribuir

    Nem precisa que nos mande

    Pra chimarrear com matambre

    Preparando um justo porvir!

     

    No Sul é o encontro de aves

    Vindas até da Groenlândia

    Visitas vestidas de mandria

    Influenciadas pelas águas

    Passeiam em nossas plagas

    Sem lugar pra fazer festas

    Quase não há mais floretas

    Nesse encontro de comadres

    De casamentos sem padres

    Mas as uniões são corretas.

     

    Matas exterminadas lentamente

    Num fenômeno sem quântica

    Esvaiu-se a Mata Atlântica

    Ações de estranha perfídia

    Acaba-se a casa de orquídeas

    Beleza que atrai os insetos

    Estes condutores seletos

    De polens e até sementes

    Trabalham incansavelmente

    Sem precisar de decretos.

     

    Paraísos Ecológicos do Sul

    Ninguém quer que tenha fim

    Maravilhas como o Taim,

    Por favor, não nos deixe!

    Turvo e Lagoa do Peixe,

    Aparados da Serra e Aracuri

    Muitos outros, que não vi

    De baixo deste céu azul

    É o meu Rio Grande do Sul

    Pois a vida começa aqui.

     

    Não falei em aquecimento

    Nem na camada de Ozônio

    Por estes serem binômios

    Já bem sabido do povo

    O sol entra meio raivoso

    Nesses furos de peneira

    E vai derretendo as geleiras

    Sem muito constrangimento

    Criando Tsunamis violentos

    E outras tantas porqueiras.

     

    É Deus que começou a cobrar

    O aluguel do planeta

    Deixando muito sotreta

    Com as barbas de molho

    Pois Ele esta de olho

    Observando com espanto

    Estragos no Pago Santo

    Com essa poluição do ar

    Os que respiram vão acabar

    E o mundo perderá o encanto.

     

    - Poesia Classificada em 2º lugar, no XV FEGARP

     Festival de Arte e Tradição Gaúcha Realizada na Cidade de Jataí-GO. 

    - No Centro de Tradições Querência Goiana de Jataí. No dia 21 de julho de 2007.

    - Concurso de Poesia Inédita – Tema: O Ecossistema e o Tradicionalismo Gaúcho.

    - Promoção da Federação Tradicionalista Gaúcha do Planalto Central–FTGPC.


     

     

    November 29

    DIFERENCIE TRADICIONALISMO DE NATIVISMO ASSIM TCHÊ!

     

    Tradicionalismo ou Nativismo

     

    Quem quiser demonstrar a cultura gaúcha visualmente vai ter um retângulo cujas pontas ostentam cores diferentes com um dégradé em direção ao centro. No ponto mais eqüidistante das extremidades vai existir um matiz difícil de identificar a que lado pertence. Assim é a cultura do Rio Grande do Sul, composta por dois movimentos distintos, mas iguais. Há o tradicionalista que não compreende ou não gosta do nativismo e o nativista que não entende ou não aprecia os rituais do tradicionalismo. Porém há aqueles que como no matiz central do quadro imaginário proposto, ora são interpretados como tradicionalistas, ora como nativistas. Transitam nos dois campos culturais com a mesma notoriedade e legitimidade. Luiz Carlos Barbosa Lessa, recentemente falecido, considerado o maior teórico do tradicionalismo, registra em seu livro Nativismo, que a cada trinta anos surge um novo "ismo". Menciona o Gauchismo de Cezimbra Jacques em 1889, regionalismo por volta de 1920, o tradicionalismo em 1947 e o nativismo a partir da década de 70. Complementa o folclorista: em 2000 deve se cuidar para não haver o "barulhismo". Seu temor tem uma certa ponta de razão, mas ele não prevê o possível momento do centrismo na cultura gaúcha.

    Definir o tradicionalismo e o nativismo parece ser tarefa simples quando se lê as palavras num dicionário, contudo decifrar os movimentos representados por estes dois "ismos" é mais complexo. Saber quem são e o que pensam as pessoas que formam estes dois grupos que se complementam e às vezes se confundem requer uma análise mais profunda do que uma simples frase, muitas vezes preconceituosa. Entender o que pensam os membros destes dois grupos de indumentárias distintas e outras vezes tão semelhantes, é complexo. Decifrar estas duas tribos de guerreiros aquartelados nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) ou nos ginásios de esporte que viram cenários para os festivais não é fácil. Conhecer as lideranças dos que ostentam cargos adquiridos através de eleições e dos que conquistam posições por meio de suas prestigiosas manifestações artísticas, é fundamental. É necessário recorrer à sociologia e à antropologia para tentar desvendar o mistério e uma divisão quase oculta e ao mesmo tempo tão declarada.    

    O tradicionalismo gaúcho é um movimento organizado com uma estrutura hierárquica rígida e um mapeamento do Estado. É quase como um governo paralelo especificamente para o gerenciamento da tradição, mas não exclusivamente. Há uma questão humana intrínseca. Possui um presidente na capital, trinta coordenadores nas chamadas Regiões Tradicionalistas (RTs) e os patrões do Centros de Tradições Gaúchas. Há cidades que possuem ainda uma associação das entidades, cujo presidente tem sua posição hierárquica estabelecida entre o patrão e o coordenador. Como primeiras-damas culturais existem as primeiras prendas em três modalidades e três níveis. As modalidades são mirim, juvenil e adulta e os níveis são as prendas das entidades, das regiões e do Estado. Um cargo surgido mais recentemente é o Peão Farroupilha, nos mesmos níveis das Prendas e nas modalidades piá e adulto. Todos são uma espécie de relações públicas do tradicionalismo e conquistam seus cargos num verdadeiro vestibular cultural. Ao contrário do nativismo há uma rigidez quase militar no tradicionalismo no que tange a indumentária. Chega em alguns casos no limite em que a Imagem vale mais do que o conteúdo.

    - O nativismo gaúcho não é uma entidade e sim um movimento cultural cuja união está na identificação pessoal e na semelhança de produção artística de seus membros. Os líderes são os artistas e os organizadores de festivais, mas não há uma hierarquia estabelecida entre eles. Ambos possuem associações independentes na expectativa uma organização maior, porém não se e comparar com as diretorias e patronagens do tradicionalismo. Os guerreiros desta tribo são os admiradores da musica nativa da poesia gaúcha e a pajada riograndense. Seguem seus ídolos, mas não Ihes dão exclusividade. Aplaudem e consomem o produto cultural dos que mais se identificam. Vão aos festivais com o mesmo entusiasmo com que freqüentam os­ CTGs. Há migrantes entre os grupos, contudo pode-se afirmar independente de qualquer pesquisa de que o tradicionalismo municia o nativismo com maior contingente de pessoas do que o contrário.

    Se há diferença organizacional entre eles, a semelhança sentimental. Ambos sustentam seus discursos ideológicos no amor à terra. Tradicionalismo e nativismo cantam as belezas da querência, envergam indumentária típica, demonstram cada um à sua moda, amor pelo Rio Grande do Sul e são sustentados pelo concurso. Embora nesta demonstração de apego pelo pago, o tradicionalismo dance mais do que cante e o nativismo quase que exclusivamente cante, este ano o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) cria um festival de música que abrange todas as RTs, o que significa uma mobilização estadual.

    Pela visão antropológica, ambos os segmentos são agregadores da família e do grupo local. Possuem a linguagem dos signos herdada de ancestrais. Falam do seu mundo com a dimensão de seu conhecimento. São responsáveis pelo crescimento da auto-estima do povo riograndense e grandes propulsores a economia estadual.

    Enquanto o tradicionalismo estuda o folclore e a tradição, o nativismo está mais voltada para a manifestação folclórica. O primeiro define o corpus de sua atuação dentro do que estabelece como tradicional e folclórico e o segundo busca universalizar estes dados com enfoque ético-musical mais abrangente e inovador.

    As pontas de cores distintas do quadro imaginário que define a cultura gaúcha de debatem nesta questão. Os mais entusiastas do tradicionalismo julgam que o nativismo está deturpando a cultura gaúcha e os vanguardistas do nativismo acusam os tradicionalistas de serem responsáveis pelo saudosismo cultural. Já os que são representados pelo matiz dégradé, visualizam o somatório do poder cultural que os dois movimentos proporcionam para o engrandecimento espiritual dos habitantes do Estado. Juntos eles mobilizam mais de um milhão de pessoas. Isto só no Rio Grande do Sul, haja visto que a cultura gaúcha está presente em todos os estados brasileiros e fora do território nacional com grande representatividade.

    Barbosa Lessa, ao fundamentar o tradicionalismo afirma que "...as duas unidades sociais mais importantes como transmissoras de cultura são a família e o grupo local". Nos grandes centros populacionais urbanos os CTGs sãos os locais da fuga do individualismo das metrópoles. As pessoas buscam reencontrar o sentimento de grupo local, com os mesmos objetivos e atividades.

    A cultura gaúcha como um todo é provedora deste encontro familiar. A freqüência nos CTGs, rodeios e festivais normalmente é de três gerações. Estando grupos de diferentes idades voltados ao mesmo objetivo, a herança cultural é legada com maior facilidade entre eles e o fortalecimento do regionalismo é mais pulsante. Encontrada no seio da cultura gaúcha, a família riograndense posiciona-se na defesa de seus mais íntimos anseios. Os pais acompanham o crescimento etário e cultural de seus filhos e os apóiam nos momentos de dificuldade como amigos da mesma entidade social, sem deixarem de ser exemplos e ídolos. Tanto que o rodeio crioulo, uma das atividades recreativas do tradicionalismo institui o concurso de laço “pai e filho”, incentivando a integração familiar. Da mesma forma acontece no nativismo quando um jovem sobe ao palco para defender a sua música num determinado festival, toda a família oferece apoio à sua atuação.

    A sociabilidade familiar, um dos maiores problemas da comunidade mundial na atualidade, tem na cultural gaúcha um ponto de apoio importante. Seus exemplos estão presentes desde os CTGs dos remotos rincões até os da capital gaúcha.

    As lideranças de ambos os movimentos também mobilizam as famílias na questão organizacional. É comum encontrar casais participativos nos CTGs ou organizações de festivais de música ou poesia. Quando no grande grupo, em congressos do Movimento Tradicionalista Gaúcho ou nas reuniões da Associação das Comissões Organizadoras de Festivais de Música do Rio Grande do Sul, é uma grande família. Barbosa Lessa fez uma afirmação sociológica para o evento: "qualquer sociedade poderá evitar a dissolução enquanto for capaz de manter a integridade de seu núcleo cultural".

    Nestes encontros há o congraçamento de pessoas de todas as facções partidárias, todas as classes sociais, credos e cores. A cultura é o objetivo comum para o qual todos convergem suas dedicações. Embora isso aconteça na comunidade local, os comandados políticos, distantes do fato cultural, teorizam equivocadamente sobre a cultura gaúcha. Os da extrema direita e da extrema esquerda julgam que a estrutura das estâncias na cultura gaúcha, patrões e peões, seja ideologicamente a favor da primeira e contra a segunda. Ambos estão enganados, por que ela está acima disso. É uma característica atribuída ao meio de vida do riograndense. "O gaúcho é socialmente um produto do Pampa, como politicamente é um produto da guerra", afirma o pensador fluminense Oliveira Vianna em seu livro Populações Meridionais do Brasil.

    Nos festivais há uma comemoração da arte criada em relação aos temas, mais do que uma vinculação política que ela possa expressar, e normalmente as letras de música estão recheadas de defesa das questões humanas. O antropólogo riograndense Ruben Gorge Oliven registra em seu livro A Parte e o Todo - A Diversidade Cultural do Brasil-Nação, algo

    comprobatório deste amor à arte acima de tudo. "...0 que me chama atenção é o fato de um público aplaudir indistintamente músicas a favor ou contra a figura tradicional do gaúcho". E complementa: "Mas o público parece vibrar com todas; acho que, na realidade, as pessoas vibram com a celebração da entidade gaúcha".

     

     

    A CRIAÇÃO DO TRADICIONALISMO E O SURGIMENTO DO NATIVISMO

     

     

    A primeira tentativa de organização do tradicionalismo surge em 1898 com a criação do Grêmio Gaúcho em Porto Alegre, por Cezimbra Jacques. Alguns autores afirmam que Cezimbra Jacques agiu influenciado pelo Partenon Literário que reunia a elite cultural de sua época. Outros clubes são fundados no interior do Estado. Segundo Hélio Moro Mariante em História do Tradicionalismo Rio-Grandense, foram a União Gaúcha de Pelotas, Centro Gaúcho de Bagé, Grêmio Gaúcho de Santa Maria, Sociedade Gaúcha de Lomba Grande de São Leopoldo (hoje pertencente ao município de Novo Hamburgo) e Clube Farroupilha de Ijuí. Moro Mariante afirma que este sentimento nativista impregnado na criação das entidades de preservação do regionalismo tem a influência do Uruguai que conta com a sua entidade tradicionalista La Criolla, fundada por Elias Regules, em 1894.

    O tradicionalismo organiza-se definitivamente a partir de 1947, quase como uma birra. Em 1940, com a estatização da Rádio Nacional por Getúlio Vargas, a padronização cultural borra as manifestações culturais regionais. Por sorte, graças a sua força legítima não se apaga. Em 1941, os Estados Unidos reforçam as relações econômicas e culturais com a América Latina. O presidente Franklin Roosevelt cria o Birô Interamericano. Chefiado por Nelson Rockfeller, o Birô começa a divulgar no Brasil o american way of life, ou seja, o estilo de vida compatível com o consumo dos produtos tipicamente norte-americanos, desde a Coca-Cola até a revista Pato Donald. A indústria de refrigerantes investe altos valores monetários na Rádio Nacional para colocar no ar o programa Um Milhão de Melodias, uma espécie de parada musical norte-americana. Isto, na verdade serve como ponta de lança para a introdução do refrigerante e dos produtos da indústria cultural daquele país em todo o território brasileiro. A partir daí patrocinadores passam a ter suas marcas associadas aos programas, a exemplo de Teatro Good-Year, Recital Johnson, Programa Bayer e Calendário Kolynos. Eles se tomam os maiores sucessos radiofônicos dos anos 40. O rádio toma-se o fascínio dos ouvintes. Passa a ser o maior influenciador dos hábitos e costumes de milhões de brasileiros.

    Segundo o historiador Gerson Moura, no seu livro Tio Sam Chega ao Brasil, "foi dessa maneira que entre 1946 e 1947 o Brasil foi inundado de produtos made in Usa...". Toda essa avalanche de informações culturais chega num momento em que o país atravessa um período de fragilidade cultural. Getúlio Vargas cria o Estado Novo e promove uma afronta às diferenças culturais do País. Estabelece, em 1937, a Constituição com o objetivo de unificar a Nação. O gaúcho de São Borja, enquanto presidente, instituiu que a bandeira, o escudo e as armas passam a ser os únicos no País. Com a cerimônia da Queima das bandeiras em praça pública, ao som do hino nacional, quando são hasteadas 21 peças da bandeira nacional em lugar das estaduais, fica clara a perda do poder regional e estadual. A partir daí, as mudanças profundas movem com o imaginário popular e a cultura passa a ser algo estabelecido pelo Estado Central. O samba ganha legitimidade como a representação musical e a entidade cultural do País. Depois, o governo impõe uma postura de unidade nacional permite que esta nacionalidade seja enxovalhada pela de outro país.

    Com a queda da Ditadura Vargas o cotidiano regional começa a ser repensado. A imprensa começa a atuar livremente e os intelectuais retomam a divulgar o Brasil como uma nação de vários segmentos culturais.

    Em 1947, o jovem estudante do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de Porto Alegre, João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes, recém chegado de Santana do Livramento, sai para tomar um cafezinho e avista uma bandeira do Rio Grande do Sul, servindo de cortina para tapar o vidro de uma janela do bar, entre cachaça e cigarro. O comerciante não sabia do que se tratava aquele pano. Foi a gota D'água. Naquele ano Paixão Côrtes cria, juntamente com alguns colegas, o Departamento de Tradições Gaúchas, no Colégio Julinho. O grupo acompanha de-a-cavalo o translado dos restos mortais do General farroupilha David Canabarro. A Primeira Ronda Crioula é criada para preservar, desenvolver e proporcionar a revitalização da cultura rio­grandense. O DTG comemora os 112 anos da Revolução Farroupilha. Acende-se da Pira da Pátria pela primeira vez o fogo que os tradicionalistas denominam de “Chama Crioula”.

    "Não estávamos, nós os jovens, nos insurgindo contra as coisas do desenvolvimento, da liberdade, do progresso, e nem éramos insensíveis à evolução. Mas queríamos também o direito de fixar as nossas coisas, de preservá-Ias, de varolizá-Ias dignamente nos seus devidos lugares", afirma Paixão Côrtes no seu livro Origem da Semana Farroupilha - Primórdios do Movimento Tradicionalista.    ­

    Em 24 de abril de 1948 é fundado o 35 CTG, o pioneiro daquelas entidades. Hoje são mais de 1700 CTGs em todo o País. Em 1959, quando é criado o Conselho Coordenador, o Estado já conta com diversos CTGs. Em 1966 cria-se o Movimento Tradicionalista Gaúcho e em 1975, o Conselho Coordenador transforma-se em Conselho Diretor, ativo até a atualidade.

    O movimento nativista surge com a criação da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul na cidade de Uruguaiana, em 1971. O País atravessa a sangrenta ditadura militar. A censura com mão de chumbo, define o que é mais apropriado para veicular ao povo. A música em idioma estrangeiro ganha as paradas de sucesso das emissoras de rádio e televisão, numa forma de adormecer aos mais atuantes cultural e politicamente. Em revés a estes cinzentos tempos, há grande movimentação cultural com a idealização de festivais de música popular brasileira nas diversas cidades do País. O mercado da música gaúcha está voltado para o regionalismo e o tradicionalismo. A trova está em alta, ainda por resquícios do programa ­radiofônico Grande Rodeio Coringa e alguns programas em emissoras AM no amanhecer ou entardecer do dia. Mas apesar disso, a parcela gaúcha no mercado discográfico é irrelevante, excetuando-se o fenômeno Teixerinha, recordista em vendas de discos até hoje.

    A Califórnia da Canção é promovida por um grupo filiado ao CTG Sinuelo do Pago, em Uruguaiana. Na primeira edição, sessenta pessoas fazem a platéia. Nos tempos de ouro da Califórnia, entre a décima e a vigésima edição, chega a atrair 60 mil pessoas. O poeta Colmar Pereira Duarte é o centro de uma polêmica que gera o surgimento do festival. Acaba vencendo a primeira edição do evento que passa a ser exemplo para o ciclo dos festivais do Estado.

    Na década de 80 surgem novos festivais e um verdadeiro turbilhão nativista começa a tomar conta do Estado. Os jovens passam a vestir bombachas, sair às ruas dos grandes centros com suas mateiras e formar rodas de mate nas praças. Apressadamente alguns tradicionalistas julgam que o movimento é apenas um modismo. Hoje Já contabiliza três décadas de atuação e centenas de títulos de festivais. Atualmente são em média 47 festivais por ano, mas já houve época com mais eventos deste tipo do que finais de semana. Com a grande produção musical gerada pelo nativismo surgem novos programas de rádio e televisão. A mídia começa a olhar com atenção para os nativistas e vê fundamento nos temas que são abordados pelos novos valores que começam a surgir ano a ano. Os festivais tornam-se mercado de trabalho e hoje há um elenco de mais de mil nomes cadastrados como compositores, músicos e intérpretes deste gênero musical só no Rio Grande do Sul.

    Na década de 80 surge a primeira emissora de rádio segmentada exclusivamente na cultura gaúcha, a Rádio Uberdade FM. Antes disso algumas emissoras já dão cobertura jornalística aos festivais de música e aos eventos da tradição. Na atualidade são seis emissoras no Estado, cinco FMs e um AM.

    O primeiro disco da Califórnia foi gravado em São Paulo. O movimento estruturou o mercado de trabalho, gerando uma espécie de indústria cultural gaudéria. Atualmente existe uma dezena de gravadoras no Estado e uma quantidade imensa de estúdios de gravações. O consumo discográfico gaúcho alcança a expressiva quota de 2 milhões de discos ao ano.

    Assim como o tradicionalismo dá sustentação aos conjuntos musicais em seus fandangos, o nativismo faz surgir novos valores que breve tornam-se profissionais e passam a atuar como contratados dos próprios festivais para espetáculos especiais. Alguns deles Já se orgulham da conquista do DISCO de Ouro pela vendagem de 100 mil cópias de seus CDs.

    Assim como o tradicionalismo tem no seu ENART (Encontro de Artes e Tradição Gaúcha) o seu principal encontro artístico anual, surge para o nativismo a lei que cria o Troféu Vitória, em 1995. Uma espécie de Oscar dos festivais, o Troféu Vitória acontece por três anos no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, a partir de março de 1996. Este encontro, promovido pela Associação dos compositores, Intérpretes e Músicos Nativistas (ACIMN), conta com o apoio do governo estadual da época que destina 100 mil reais para as premiações aos três melhores festivais e os artistas mais premiados do ano. Apesar de ter dado uma nova vida aos festivais, ele não acontece mais, embora a lei que o cria não tenha sido revogada.

    A ACOFEM (Associação das Comissões Organizadoras dos Festivais de Música do Rio Grande do Sul) atua em plena sintonia com a SEDAC (Secretaria de Estado da Cultura) e CEC (Conselho Estadual de Cultura). Este equilíbrio entre as entidades é fundamental em virtude do surgimento da lei de Incentivo à Cultura para a realização dos festivais.

     

    Bueno! As fontes destes dois magníficos textos são do JORNÀL DO NA TIVISMO, nº. 171, de Novembro de 2002, pág.16 e 17 e são de autoria do meu amigo Paulo de Freitas Mendonça, diretor do referido jornal e acadêmico de Jornalismo. Lembramos também que o Jornal do Nativismo pode ser acessado na Internet pelo www.nativismo.com.br e recomendo ao vivente que assine este jornal, que há 15 anos se dedica à cultura da nossa terra.

     

     

    http://www.tchenet.hpg.ig.com.br/

    November 22

    DESCOBERTA DE GEL QUE ESTANCA A HEMORRAGIA

    Cientistas descobrem gel que estanca hemorragias

    Os pesquisadores prevêem que os testes clínicos comecem dentro de cinco anos

    PEQUIM - Cientistas de Hong Kong e dos Estados Unidos descobriram, de forma acidental, um gel capaz de estancar hemorragias em menos de 15 segundos, que pode revolucionar as cirurgias, publica o jornal South China Morning Post.

    Os especialistas da Universidade de Hong Kong e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) descobriram a fórmula do gel enquanto trabalhavam num projeto de regeneração de células cerebrais.

    A descoberta foi divulgada pela revista científica internacional Nanomedicine, que publicou os resultados da pesquisa, pioneira na utilização de um produto biodegradável para conter uma hemorragia em roedores em apenas alguns segundos.

    A aplicação em humanos poderia reduzir drasticamente o tempo gasto pelos cirurgiões para controlar as hemorragias, que é quase a metade de toda a intervenção.

    Os cientistas ainda não sabem qual é o mecanismo exato que estanca a hemorragia. Mas explicaram que o novo material contém fragmentos de proteínas (peptídeos). Eles atuam sobre a ferida como um gel protetor numa escala de nanômetros (milionésimos de milímetro).

    Depois de parar o fluxo de sangue, o gel se decompõe em moléculas que o organismo pode utilizar para reparar o tecido danificado.

    Por enquanto, o novo produto só foi utilizado no cérebro, fígado, pele e tecido da medula espinhal de ratos e hamsters. A sua aplicação estancou as hemorragias quase instantaneamente em todos os casos.

    Atualmente, as ferramentas mais utilizadas para isto são a pressão com pinças, esponjas e a aplicação de calor.

    Os pesquisadores prevêem que os testes clínicos comecem dentro de cinco anos, e que serão necessários pelo menos 10 até que o produto possa ser utilizado amplamente nos hospitais.

     

    POESIA LINDA DE MÁS TCHÊ - RETORNO BRAVO

    Retorno bravo

    Autoria: Ubirajara Raffo Constant


    Ali na porta do rancho, junto ao cusquito nervoso,

    o velho guasca orgulhoso olhava o filho partir.

    Também deseja ir com a mesma disposição,

    levando a lança na mão, pra se unir aos farroupilhas

    e pelear pelas coxilhas em defesa do rincão.

    Porém já velho e arquejado perdera a força no braço,

    tinha no lombo o cansaço do peso de muitos anos,

    mas era um dos veteranos com orgulho do passado,

    por ter a lança empunhado combatendo os castelhanos.

     Que gana tinha de ir, aquele velho guerreiro,

    de novo para o entrevero como gaúcho pelear,

    mas ficava a se orgulhar que embora velho e cansado

    tinha um filho já criado partindo no seu lugar.

     E ali na porta do rancho, cheio de orgulho e pesar,

    viu o filho se afastar com garbo e disposição,

    montando um flor de alazão, o laço preso nos tentos,

    o poncho revoando ao vento e a lança firme na mão.

     Depois, com a estrada deserta, a noite foi se achegando,

    o pampa foi silenciando nas grotas e nos banhados

    e o velho guasca cansado no catre foi se arrimando,

    em silêncio memoriando entreveros do passado.

    Assim, a poeira dos dias cobriu o catre vazio

    do paisano que partiu do rancho para a guerrilha,

    levando na alma caudilha de guasca continentino,

    a fibra, a glória e o tino de campeador farroupilha.

    Já muitos dias depois um xirú trouxe a notícia:

    - A farroupilha milícia em que seu filho marchou

    peleando se dizimou. Morreram mas não recuaram

    e  entre os bravos que tombaram dizem que o moço ficou.

    Num sentimento profundo o velho ficou calado,

    mas o seu rosto enrugado não pode a dor esconder,

    deixando livre correr, do fundo da alma ferida,

    uma lágrima sentida que ele não pode conter.

    Tristonha caiu a noite e mais triste a madrugada.

    Latia ao longe a cuscada, na quincha gemia o vento,

    e sem dormir um momento, ali no catre estirado,

    o velho ficou atado na soga do pensamento.

    Lembrou o filho em criança

    correndo o pampa em retoço,

    a melena em alvoroço soprada ao vento pampeano.

    Recordou ano por ano até que o piá ficou moço

    e ali da porta do rancho partiu p’ra revolução,

    montando um flor de alazão, o laço preso nos tentos,

    o poncho revoando ao vento e a lança firme na mão.

    Estava assim recordando, quando lá fora um gemido

    lhe fez apurar o ouvido e despertar-lhe a atenção.

    E quando ouviu uma mão, naquela hora tão morta,

    forcejar de encontro à porta como querendo arrombá-la,

    sua visão ficou clara, voltando-lhe a luz e o brilho;

    num ímpeto caudilho a porta abriu com vigor

    e estarreceu-se de horror ante a figura do filho.

    Cambaleante, ensangüentado,

    as vestes feitas em frangalhos,

    o corpo cheio de talhos dobrado pelo cansaço,

    já sem força em nenhum braço, já sem poder ver direito,

    e com o meio do peito aberto por um lançaço.

    Fitando os olhos do filho o velho ficou calado.

    Estarrecido, espantado, vendo-o ali em sua frente.

    Então gritou gravemente: - Meu filho, por que voltaste?

    Por quê?

    Por que não tombaste onde tombou nossa gente?

    Maldito sejas, covarde, tu já não és mais meu filho!

    Não tens o sangue caudilho, não agüentaste o repuxo,

    deixaste teus companheiros, fugiste dos entreveros,

    tu já não és mais gaúcho!

    Então a face do guasca que peleando não tombou,

    como um lançaço estampou a ira do coração.

    Prostrando-se rudemente, naquele gesto inclemente,

    desfalecido no chão, o moço sentindo a morte

    roubar-lhe o sopro da vida, com a alma triste e ferida,

    ali prostrado no chão, sem rancor no coração

    olhou para o pai à seu lado, e já num último brado

    fez a brava confissão;

    - Meu pai, eu não fui covarde,

    honrei meu poncho e minha adaga,

    fiquei coberto de chagas mas agüentei o repuxo.

    Fui valente, fui gaúcho, peleei com todo o ardor,

    E se aqui vim escondido foi pr’a salvar do inimigo

    o pavilhão tricolor.

    Abrindo a camisa ao peito, tirou em sangue banhado

    aquele trapo sagrado que até o fim defendeu,

    e beijando-o estendeu ao pai, num último esforço,

    e depois, curvando o dorso, o bravo guasca morreu.

     

    November 17

    RESPEITANDO A NATUREZA

    Respeitando a natureza

     

    Desde que o homem está na face da terra luta com a natureza em defesa de sua de sua própria sobrevivência e, consciente ou inconscientemente, acaba agredindo-a de alguma forma. Não faz muito tempo que ele se deu em conta do mal que estava fazendo e passou a se preocupar com essa agressão.

              As pessoas passaram a se preocupar com o meio ambiente a partir do momento que chegaram a conclusão de que destruir a natureza significava condenar a própria humanidade ao extermínio. Essa preocupação hoje é universal e governantes do mundo todo estão se mobilizando em torno da busca de soluções para esse grave problema da humanidade. Prova disso foi a realização da grande conferencia internacional para o meio ambiente (ECO-92), que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1992, onde 114 Chefes de Estados de diversos países discutiram formas de como continuar o desenvolvimento econômico, sem agredir o meio ambiente, o que é chamado de desenvolvimento sustentado.

              Nunca se usou tanto as expressões “meio ambiente” e “ecologia”, como nos dias atuais, portanto é importante que saibamos os seus significados:

              Meio ambiente: é o conjunto de todos os elementos que constituem o lugar, o espaço onde o homem vive (seu habitat). Fazem parte do meio ambiente: O solo, a fauna, a flora, o clima, os recursos hídricos, etc.

              Ecologia é a parte da biologia que estuda as relações dos seres vivos com ambiente em que vivem, ou seja, estuda a estrutura daquilo que conhecemos como natureza. A palavra ecologia é formada por : eco (casa, ambiente) + logo (estudo).

              No Brasil as autoridades têm se preocupado bastante com a preservação da natureza. Prova disso foi a criação de um ministério específico: Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA); criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), além do rigor das leis ambientais.

              E nós navegantes, o que podemos fazer para ajudar nessa luta?

              Vejo-me na obrigação de alertar o leitor para a importância da preservação do meio ambiente, não só com a virtude das sanções das leis, mas também, em virtude da grande responsabilidade que temos, em legar às futuras gerações um mundo onde se possa viver com dignidade.

    A nossa responsabilidade, enquanto navegante-pescadores, começa nas estradas, onde devemos ter muito cuidado para não atropelar os animais silvestres, o que tem acontecido com muita freqüência.

    Um outro cuidado que devemos ter é com nossos fósforos e pontas de cigarros, que devem ser apagados  e colocados no cinzeiro do carro ou outro recipiente qualquer, nunca lançado para fora. Primeiro porque não devemos jogar lixo nas estradas e, principalmente porque, embora imaginemos que os fósforos e cigarros estejam apagados, o risco é muito grande e as conseqüências poderão ser catastróficas.

    As queimadas: Constituem uma grande ameaça, tanto para a flora como para a fauna, pois o fogo sai destruindo tudo. No primeiro momento queima as florestas e matam os animais, em conseqüência vem as mudanças do clima, a “morte” dos rios e a destruição do solo. Sem floresta não há rio, sem rio não há peixes, sem peixes se vão as nossas gostosas pescarias.

    O desmatamento: Outro grande perigo para a natureza. Quando a vegetação das margens dos rios são cortadas, as margens ficam desprotegidas, com as chuvas, os barrancos sofrem erosão, a terra é arrastada para dentro dos rios. Com o tempo o rio vai ficando cada vez mais raso, impedindo a navegação e, muitas vezes até seca. Lembre-se! Sem mata não há proteção das margens, sem proteção os barrancos são arrastados pelas chuvas para dentro do rio, o rio seca. Sem rio não há peixes, sem peixes nossos filhos não poderão desfrutar das alegres pescarias que desfrutamos.

    O lixo: Jogar lixo nas águas é crime contra a natureza, além de que, com o decorrer do tempo esse lixo vai se acumulando e chegará um dia em que a poluição “matará” o rio. Alguns materiais são biodegradáveis, isto é, se dissolvem, ficando no fundo dos rios e lagos por muitos anos. Cegará o momento em que, ao se jogar o anzol, ao invés de peixes fisgaremos sacos plásticos, latas enferrujadas ou velhos sapatos. Lembre-se! O lixo “mata” o rio, sem rio não há peixes, sem peixes nossos netos não poderão desfrutar das gostosas pescarias que desfrutamos.

    O óleo e fumaça: Devemos ter muito cuidado para não deixar cair óleo nas águas, como também devemos manter motores bem regulados para evitar a contaminação do ar atmosférico. O óleo não se mistura com a água e constitui um grande perigo, tanto para os animais quanto para as plantas. Os gases das descargas dos motores que poluem o ar, uma vez que são compostos de monóxido de carbono, o que, em grande quantidade representa um enorme perigo para os seres vivos, pois ao contaminar o ar que é respirado causa doenças, além de outros danos à natureza. Cuidado! Quanto mais escuros estiverem os gases da descarga do seu motor, maior será a poluição, fumaça escura significa que uma grande parte do combustível não está sendo queimada, sendo jogada na atmosfera. Cabe ressaltar ainda, os inseticidas usados nos pulverizadores dos tratores, para combate das folhagens e ou praga na agricultura, pois esses maquinários quando lavado ou inadvertidamente jogado resíduos em afluentes de rios, eles certamente poluirão as águas e consequentemente, matarão os peixes, bem como colocará em risco a saúde da população a jusante do rio, tendo em vista o alto grau cancerígeno da maioria dos inseticidas. Lembre-se! Óleo, fumaça e inseticidas significam poluição, com poluição não há peixes, sem peixes nossos bisnetos não poderão desfrutar das deliciosas pescarias que desfrutamos.

    A piracema: Piracema é a época em que os cardumes se deslocam rio acima, rumo as nascentes, para a reprodução. Pescar na época da Piracema significa interromper a procriação dos peixes, o que pode comprometer a manutenção dos cardumes e mesmo acarretar o desaparecimento de algumas espécies de peixes. Normalmente, o desfecho ocorre de novembro a janeiro, podendo variar um pouco de região para região. Portanto, antes de pescar, consulte a Superintendência do IBAMA da região desejada, ligando par um dos telefones daquele órgão. Lembre-se! Pescar na Piracema significa interromper a procriação, sem procriação não há peixes, sem peixes as futuras gerações perderão uma excelente fonte de alimentos, além de não poderem desfrutar de tão maravilhosa forma de lazer.

    A Legislação: Espero que o leitor tenha sempre muito cuidado com o meio ambiente, ficando longe de problemas com as autoridades ambientais, porém, nunca é demais prevenir aos leigos das novas Leis ambientais em vigor no Brasil a que estamos, bem como das penalidades aplicadas aos infratores, assim podemos agir preventivamente. É importante que cada um de nós ao tomarmos conhecimento das Leis ou da criação de novas Leis, passe a orientar as outras pessoas, para a sua aplicabilidade. A natureza agradece.

    Lei 9.605, de fevereiro de 1.998. icando longe de problemas com as autoridades ambientais, porpouco para a reproduçaes vivossai destruindo tudo. . ao

     

    October 25

    Poesia: A INCERTEZA DE TUDO

    Poesia: A incerteza de tudo

    Autoria: Paulo Moacir Ferreira Bambil

     

    Talvez tenha sido por um olhar...

    Talvez tenha sido por um sorriso...

    Talvez tenha sido por aquele instante contigo...

    Talvez por aquelas palavras quentes

    Que talvez fossem outrora diferentes

    Talvez tu não consigas mais disfarçar

    Mas talvez eu nascesse só para te amar

    E talvez com o meu carinho ardente

    Talvez nunca esse risco eu fosse correr

    De talvez na vida um dia te perder

     

    A certeza está contida nesses fatos

    Incertamente como se me faltasse um membro

    Certamente agora eu relembro

    Na incerteza de como seria meus dias

    Certamente esses pecados eu não cometeria

    Incertamente profetizando os relatos

    Certamente de pensamentos inatos

    Incertamente essa graça aconteceria

    Certamente teríamos muitos assuntos

    Na incerteza de um dia ficarmos juntos

     

    Duvido que tudo seja esquecido

    Acredito na memória de minha alma

    Duvido muito que perderei a calma

    Acredito no amor de Deus Pai

    Duvido que Ele não escute meu ai

    Acredito no meu amor reprimido

    Duvido da ilusão de algum aventureiro

    Acredito que eu cheguei primeiro

    Duvido que eu não seja o vencedor

    Acredito que serei o dono do teu amor

     

    Impossível tudo estar perdido

    Possível é o carinho que denotas

    Impossível eu me fazer de idiota

    Possível de minha alma enganada

    Impossível a existência minha apagada

    Possível de ter um elo corrompido

    Impossível mesmo é a tua ausência

    Possível é eu ter muita paciência

    Impossível não acreditar na eternidade

    Possível seria se não fosse a verdade

     

    Quem sabe na minha lucidez

    Não se sabe se ela existe

    Quem sabe ela ainda persiste

    Não se sabe por quanto tempo

    Quem sabe nesse lapso de momento

    Não se sabe o dia ou o mês

    Quem sabe quando chegará a hora

    Não se sabe pode ter muita demora

    Quem sabe do que eu mais quero?

    Não se sabe se estou sendo sincero!

     

    Contudo depois de tudo incerto

    Entretanto uma análise deve ser feita

    Contudo nada disso se aproveita

    Entretanto na poesia da escrita

    Contudo que o solilóquio recita

    Entretanto com o poeta encoberto

    Contudo nos versos sem métrica

    Entretanto com a rima fonética

    Contudo te deixei curioso afinal

    Entretanto nem eu sei o final


    August 29

    As danças Birivas e o Tradicionalismo - Bombacha Larga

    AS DANÇAS BIRIVA E O TRADICIONALISMO!

     

    Chico do Porrete: uma dança dos Birivas!

     

    As Danças Biriva começaram ser pesquisadas a partir de estudos iniciados na década de 50. Porém, a primeira apresentação artística dessas danças folclóricas, no Rio Grande do Sul, só ocorreu em dezembro de 1998, na cidade de Antônio Prado. Paixão Côrtes, como coordenador do Grupo de Danças do CTG Pampa do Rio Grande, de Caxias do Sul, realizou, no ano de 2000, o primeiro espetáculo de Danças Biriva. E em maio de 2001, essa apresentação foi a principal atração nas comemorações do 120. aniversário da cidade de Lagoa Vermelha. Nesse mesmo ano, no mês de novembro, o Congresso da CBTG-Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha aprovou as danças dos tropeiros, classificando-as na modalidade Danças Biriva. A partir de então, a temática das danças tropeiristas passou a ser reconhecida, nacionalmente, no meio tradicionalista gaúcho. As danças do Fandango, Sapateado, Chico do Porrete, Chula e Danças dos Facões, são hoje preservadas, graças ao perseverante trabalho de pesquisa do folclorista Paixão Côrtes. Chico do Porrete, por exemplo, por ser dança dos tropeiros, só é dançada por peões. Com movimentos de passar bastão por entre as pernas, por uma mão e outra, e sapateios, a dança demonstra e representa a habilidade e o vigor físico dos dançarinos. Como as demais danças do ciclo antigo do Tropeirismo, Chico do Porrete foi dançada pelos Birivas – entre estes os habitantes da região serrana do Rio Grande do Sul. Os tropeiros de mulas, que interligavam o Rio Grande às áreas rurais do centro do país, as dançavam nos seus acampamentos e nos momentos de diversão e festa. Esta modalidade de Danças Biriva foi pesquisada em São Francisco de Paula-RS, na Encosta da Serra do Mar e nos demais rincões por onde as comitivas de tropas de mula passaram, a partir do ano de 1961. No livro “Tropeirismo Biriva”, publicado por ocasião das comemorações dos 150 anos de Vacaria, Paixão Côrtes relata toda a influência exercida pelos tropeiros de São Paulo na formação cultural da Região Serrana do Rio Grande do Sul. Assim, diante da influência exercida pelos tropeiros na Região da Serra Gaúcha, seja nas danças como nos usos e costumes, as Danças Biriva devem ser reconhecidas e valorizadas no âmbito do Tradicionalismo, por constituírem-se parte integrante da Cultura do Povo Gaúcho!